EPISTEMOLOGIA: O campo da heurística.

Epistemologia – Heurística.

A heurística é disciplina do invento e da descoberta. Seu foco é o da tomada de consciência de objetos e relações. 

A definição é importante porque as ciências particulares costumam empregar o termo “heurística” de forma limitada ou equívoca. Na ciência da história, entende-se a heurística como significando a pesquisa documental. Na pedagogia, considera-se método heurístico aquele que permite ao aluno descobrir o que se quer que aprenda. 

Fora do âmbito da filosofia, os atos e momentos heurísticos têm sido objeto apropriado de estudo da psicologia cognitiva e do aglomerado reunido sob a denominação de neurociências. Esses saberes se ocupam primordialmente dos processos de autodescoberta, de auto-diálogo, de auto-procura e do despertar das emoções e aberturas de sentido (Moustaka). 

Os estudos heurísticos contribuíram para a superação das restrições arcaicas e a consequente restauração da universalidade dos saberes. São exemplos do progresso alcançando a ruptura, fusão e empréstimos entre as disciplinas particulares; o surgimento de ramos de conhecimento como a fisioquímica, a biônica e a mecatrônica; bem como a outorga do Nobel de economia a Daniel Kahneman, um dos pais fundadores da psicologia heurística. 

 

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Moustaka, Clark (1990). Heuristic research: design, methodology, and applications. California. Sage Publications.

Nadeau, Robert (1999) Vocabulaire technique et analytique de l’épistémologie. Paris. Presses Universitaires de France. P. 290

Entendendo o Trabalho na atualidade

CATEGORIA TR

Daniel Kahneman. (Princeton University)

Daniel Kahneman, prêmio Nobel de economia, apesar de ser um psicólogo cognitivo é, de fato, um grande teórico da administração.

Contra a vetusta ciência da gestão que ainda grassa na maior parte da academia do Ocidente, Kahneman traz um pouco de oxigênio, ou mais cruamente, de conhecimento útil. Alguns dos seus achados são essenciais para o entendimento do trabalho na atualidade:

  • Demonstrou empiricamente que os chamados “estímulos positivos”, em todas as suas modalidades, incluindo as mais comuns, o elogio e a gentileza, são contraproducentes. (E que o corolário – a bronca – é gerador de eficiência);
  • Demonstrou o “efeito de halo”, a extensão de atributos como inteligência, confiabilidade e competência a pessoas que são simplesmente simpáticas ou com quem concordamos ideologicamente. (E que o corolário – o incomodo do exercício da lógica e da racionalidade – leva a validar cenários interpessoais acríticos);
  • Demonstrou a não representatividade estatística de grande parte dos dados em que se baseiam as decisões econômicas, incluindo as referentes ao trabalho (com as consequências que sabemos);
  • Chamou a atenção para que o estado de perplexidade decorrente do confronto entre o viés otimista e a aversão a perdas gera dois efeitos associados: previsões corajosas e decisões tímidas;
  • Chamou a atenção para a inutilidade preditiva da “competência intuitiva”, ao demonstrar que a experiência decorrente de 10.000 horas ou mais em um ambiente econômico dado é infrutífera quando aplicada a cenários econômicos amplos;
  • Demonstrou a eficácia da gestão da cutucada (nudge), um meio termo entre o dirigismo e o deixar rolar. Por exemplo, que 96% dos suecos são doadores de órgãos contra somente 4% dos dinamarqueses simplesmente porque os primeiros devem colocar um aviso na carta de habilitação para recusar a doação enquanto os segundos devem colocar um aviso para aceitarem.

A conferir:

–          Kahneman, D.; Lovallo, D. (1993). “Timid choices and bold forecasts: A cognitive perspective on risk-taking”. Management Science 39: 17–31

–          Kahneman, D.; Tversky, A. (1996). “On the reality of cognitive illusions”. Psychological Review 103 (3): 582–5

–          Kahneman, D. (2003). “A perspective on judgment and choice: Mapping bounded rationality”. American Psychologist 58 (9): 697–72

–          Kahneman, D. (2011). Thinking Fast and Slow, Allen Lane, Penguin Books

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