NOTAS: Deveria haver um limite para o salário dos chefes?

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Deu na BBC por Tim Harford. 

A chefe da empresa de apostas online Bet365, Denise Coates, recebeu um contracheque de 320 milhões de libras (quase R$ 1,7 bilhão), confirmando sua posição como o executivo mais bem pago do Reino Unido. O salário anual de 277 milhões de libras de salário, mais os dividendos, reacendeu o debate sobre quanto os chefes devem ganhar.

“Um executivo-chefe de uma grande empresa americana, segundo levantamento do Senado, recebe cerca de 100 vezes mais que um trabalhador médio da empresa. E nosso governo hoje recompensa esse excesso com isenção tributária, não importa qual ao alto seja esse pagamento. Isso é errado.”

A frase é de Bill Clinton durante a campanha presidencial dos Estados Unidos em 1991, a qual ele venceu. Ele prontamente tirou do papel sua promessa de cercear pagamentos excessivos.

Em geralmente, salários são tratados como custo, reduzindo o lucro sobre o qual uma companhia paga tributos. O presidente Clinton mudou a lei americana, e companhias poderiam ainda pagar o quanto elas quisessem, mas salários anuais acima de US$ 1 milhão (cerca de R$ 4 milhões) não seriam mais dedutíveis.

A mudança teve um impacto enorme. Quando Clinton deixou o cargo, em 2000, a razão entre o pagamento do executivo-chefe e do trabalhador médio não era mais 100 para 1. Era 300 para 1.

Mas o que deu errado? Podemos abordar essa questão a partir das oliveiras da Grécia Antiga.

O filósofo Tales de Mileto, segundo se conta, foi desafiado a provar o valor da filosofia. Se ela era tão útil, por que Tales era tão pobre?

Filósofo Tales de Mileto

Filósofo Tales de Mileto – GETTY IMAGES

Aristóteles, que narra sua história, deixa claro que a questão é superficial.

É claro que os filósofos são espertos o bastante para ficarem ricos, mas eles também são sábios o bastante para não se importarem com isso. Podemos até imaginar Tales falando: “Ok, eu farei fortuna. Se eu precisar!”

À época, a filosofia incluía a leitura do futuro nas estrelas.

Tales previu uma safra abundante de azeitonas, o que significaria demanda alta no aluguel de prensas da cidade. Tales visitou cada dono de equipamento com uma proposta. Aristóteles é nebuloso nos detalhes, mas menciona a palavra “depósito”.

Talvez Tales tenha negociado o direito de usar a prensa na época da colheita, mas se ele decidisse não usá-la, o proprietário simplesmente ficaria seu depósito.

Nesse caso, é o primeiro exemplo registrado do que chamamos agora de opção. Uma má colheita de azeitonas, e a opção de Tales seria inútil.

Mas, por sorte ou por análise astronômica, ele estava certo. Aristóteles nos diz que Tales contratou as prensas “em que termos ele quis e coletou uma boa quantia de dinheiro”.

Atualmente, muitas opções são compradas e vendidas nos mercados financeiros.

Se você acha que o preço da ação da Apple vai subir, pode simplesmente comprar ações da empresa — ou pode comprar a opção de comprar ações da Apple por um preço específico numa data futura.

Uma opção é de alto risco e alto retorno. Se o preço da ação é menor do que minha opção de compra, eu perco tudo. Se é maior, eu posso exercer minha opção, vender a ação e tirar um grande lucro.

Mas há outro uso para essas opções, uma tentativa de resolver o que economistas chamam de problema do principal-agente. O principal é dono de algo, e ele emprega um agente para gerir isso para ele.

Imagine que eu me torno chefe da Apple, e você detém ações da empresa. Isso o torna o principal, ou um deles. Eu sou o agente, gerindo a companhia para você e outros acionistas.

Você precisa confiar em mim para trabalhar duro por seus interesses, mas você não pode ver o que eu faço o dia todo. Talvez eu tome minhas decisões consultando um astrólogo, talvez não tão esperto quanto Tales, mas eu sempre terei uma desculpa plausível de por que os lucros estão estagnados.

Mas se me derem opções de comprar novas ações da Apple em alguns anos? Agora eu teria a ganhar com o aumento do preço da ação. Claro, se eu exercer minha opção, isso vai diminuir o valor das ações, mas se o peço continuar subindo, isso não vai importar muito.

Tudo isso soa perfeitamente sensível, e em 1990 os economistas Kevin J. Murphy e Michael Jensen publicaram um influente artigo sobre o assunto.

“Na maioria das companhias”, escreveram, “a compensação de altos executivos é virtualmente independente do desempenho”.

Então, quando o presidente Clinton cortou isenções para pagamentos de executivos, ele beneficiou recompensas ligadas à performance. Conselheiro do então mandatário, Robert Reich explicou o que aconteceu: “Só mudou a remuneração dos executivos de salários para opções sobre ações”.

Um mercado de ações em ascensão significava que até mesmo um executivo-chefe que consulta astrologia teria se dado bem. A diferença entre os salários dos patrões e dos trabalhadores aumentou. Um congressista da era Clinton diz que a lei “merece um lugar de destaque no Museu de Consequências Não Intencionais”.

Mas espere: se as opções incentivam os executivos a fazer um trabalho melhor, então isso não é necessariamente ruim, certo? Infelizmente, isso acabou sendo um grande “se”.

Quais opções realmente incentivam é maximizar o preço das ações de uma empresa em uma determinada data. Se você acha que é exatamente a mesma coisa que administrar bem uma empresa, tenho algumas ações da Enron para vendê-lo.

Se as opções de ações não são a melhor maneira de recompensar o desempenho, os conselhos de administração da empresa não deveriam procurar alternativas?

Em teoria, sim. É trabalho do conselho negociar com os chefes das empresas em nome dos acionistas. Na prática, esse é outro problema do principal-agente, pois os chefes costumam influenciar quem são os diretores e quanto são pagos. Existe um potencial óbvio de conflito de interesse.

No livro Pay Without Performance (“Remuneração sem Desempenho”, em tradução livre), Lucian Bebchuk e Jesse Fried argumentam que os diretores não se importam de verdade com uma ligação entre remuneração e desempenho, mas precisam “camuflar” essa indiferença dos acionistas. A melhor forma de compensar gatos gordos é a “compensação de camuflagem”, e opções sobre ações parecem ser uma maneira de fazer isso.

Talvez acionistas precisem ainda de outro agente para supervisionar como a diretoria recompensa os chefes.

Há um candidato: muitas pessoas detêm ações não de modo direto, mas por meio de fundos de pensão, e há algumas evidências de que esses chamados investidores “institucionais” podem persuadir conselhos de administração a serem negociadores mais duros.

Quando um grande acionista pode exercer algum tipo de controle, há um elo mais genuíno entre a remuneração dos executivos e a performance deles. No entanto, essa ligação parece também bastante rara.

Os pagamentos feitos a executivos são frequentes nas manchetes de jornais, mesmo em países nos quais é menor a diferença da remuneração deles em relação ao trabalhador comum.

De todo modo, há surpreendentemente poucas evidências do que faz sentido.

Quão possível é avaliar bem o que um chefe faz? Há divergências.

Os chefes estavam menos motivados nos anos 1960 porque ganhavam “apenas” 20 vezes mais que os trabalhadores comuns? Parece difícil.

Por outro lado, boas decisões no comando de uma grande empresa têm muito mais valor do que as ruins. Então, talvez aqueles executivos valham mesmo os salários de até nove dígitos. Talvez.

Mas se é isso mesmo, não está claro para eleitores e trabalhadores, muitos dos quais ainda irritados com o que Clinton deu voz nos anos 1990.

Talvez os chefes executivos devam aprender com Tales, que foi esperto o bastante para fazer mais dinheiro, mas sábio o suficiente para refletir se deveria.

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NOTAS: Google está sendo investigado novamente por práticas trabalhistas.

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Deu no Gizmodo por

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Para uma empresa associada ao acesso rápido a todo o conhecimento humano, o Google certamente está lutando para se manter dentro até mesmo dos termos mais gerais da legislação trabalhista dos EUA.

Pouco antes do Dia de Ação de Graças (Thanksgiving), o Google demitiu repentinamente quatro de seus engenheiros, todos os quais, aliás, haviam se envolvido fortemente em protestos liderados por funcionários contra o comportamento da empresa. Os “Thanksgiving Four”, como ficaram conhecidos, prometeram contestar suas demissões por meio de uma acusação de práticas trabalhistas injustas junto ao Conselho Nacional de Relações Trabalhistas (NLRB), e receberam o apoio do sindicato dos Trabalhadores das Comunicações da América logo em seguida.

O Google chegou a um acordo com o NLRB em setembro, que impediu a empresa de ameaçar ou retaliar seus próprios trabalhadores e permitindo que eles falassem livremente com a mídia sobre as condições de seu local de trabalho. A empresa está sendo criticada há anos por demitir, afastar ou reprimir ativistas dentro da companhia, tentou limitar o acesso dos trabalhadores a ferramentas de organização (como e-mail) e foi recentemente revelado que ela não apenas tentou cancelar uma reunião liderada por um sindicato em seu campus em Zurique, mas também contratou a empresa IRI como consultora, conhecida por práticas contra sindicatos.

Quando pedimos um comentário, o Google não se deu ao trabalho de escrever um novo comunicado e enviou a mesma que eles enviaram ao Gizmodo e a outros meios de comunicação na semana passada:

Demitimos quatro indivíduos envolvidos em violações intencionais e muitas vezes repetidas de nossas políticas de segurança de dados de longa data, incluindo acesso e disseminação sistemática de materiais e trabalho de outros funcionários. Ninguém foi demitido por levantar preocupações ou debater as atividades da empresa.

Clique aqui para ler a matéria original.

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NOTAS: Fórum Econômico Mundial prevê que robôs farão mais tarefas que humanos em 2025.

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Deu no Gizmodo por Leo Escudeiro. 

A perspectiva da tomada de empregos por robôs pode ser menos sombria do que imaginamos, pelo menos de acordo com um relatório feito pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês).

A organização prevê que os robôs deverão tomar 75 milhões de empregos humanos globalmente até 2022, mas que, por sua vez, deverão criar mais 133 milhões de novas vagas. Por outro lado, o relatório do WEF também afirma que, em 2025, os robôs deverão desempenhar 52% das tarefas profissionais atuais, em comparação com 29% atualmente.

Segundo o relatório, os avanços na computação deverão liberar os trabalhadores para novas tarefas, mas tem quem afirme que esse progresso não traz garantias de que empregos perdidos sejam substituídos.

O Fórum Econômico Mundial afirma que robôs e algoritmos deverão melhorar e muito a produtividade dos empregos atuais, além de levar a vários novos empregos nos próximos anos.

Atualmente, as máquinas desempenham 29% dos trabalhos, segundo firmas pesquisadas pelo Fórum Econômico Mundial. Esse número, segundo a organização, deverá subir para 42% em 2022 e 52% em 2025. O relatório afirma ainda que os humanos deverão trabalhar em uma média de 58% das horas de tarefa até 2022, em comparação com 71% hoje em dia.

Na visão da organização, o resultado disso seria um número maior de especialistas em redes sociais, desenvolvedores de software, analistas de dados e também outros cargos que exigem traços humanos, como prestadores de serviços e professores.

No entanto, o Fórum Econômico Mundial alerta que isso implicaria em mudanças significativas em relação ao panorama atual, com as empresas precisando treinar novamente os funcionários para conseguirem novas habilidades e governos impactados pelas mudanças tendo que implementar redes de segurança para os trabalhadores que deverão perder seus empregos. Para a organização, vagas em firmas, fábricas, correios e cargos de secretariado e em caixas de supermercado devem ser substituídos por robôs.

“Existe um imperativo tanto moral quanto econômico de se fazer isso (investir no desenvolvimento dos trabalhadores). Sem abordagens proativas, empresas e trabalhadores poderão perder o potencial econômico da Quarta Revolução Industrial”, disse Saadia Zahidi, chefe do Centro para a Nova Economia e a Sociedade, do Fórum Econômico Mundial.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, a perspectiva hoje é mais positiva porque as empresas entendem melhor os tipos de oportunidades disponíveis, graças aos desenvolvimentos na tecnologia. No entanto, vale apontar que essa é apenas a conclusão a que chegou a organização em sua própria consulta.

Outros grupos de pesquisa já trouxeram perspectivas piores. Um estudo encomendado pelo Bank of England em 2015, por exemplo, previu que, até 2035, 80 milhões de empregos seriam perdidos nos Estados Unidos, além de 15 milhões no Reino Unido. Em dezembro do ano passado, por outro lado, um relatório da McKinsey trouxe uma visão mais positiva, estimando que o balanço entre perda e criação de empregos seria basicamente igual até 2030.

O relatório do Fórum Econômico Mundial foi feito a partir de pesquisas com funcionários de recursos humanos, executivos de estratégia e CEOs de mais de 300 empresas no mundo todo , em uma série de indústrias. Os consultados representaram mais de 15 milhões de empregados e 20 economias desenvolvidas e emergentes, que somam 70% da economia global.

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NOTAS: Adam Smith – o torpor da sua mente….

Notas.

No progredir da divisão do trabalho, o emprego muito maior daqueles que vivem do seu trabalho, isto é, do grande corpo do povo, se limita a algumas operações muito simples, frequentemente [se limita] a uma ou duas [operações]. Como, no entanto, os entendimentos da maior parte dos homens são necessariamente formados por seus empregos comuns, o homem cuja vida inteira é gasta na realização de algumas operações simples, cujos efeitos talvez sejam sempre os mesmos, ou quase os mesmos, não tem ocasião de exercer sua compreensão ou de exercer sua invenção ao descobrir expedientes para remover dificuldades que nunca ocorrem. Ele naturalmente perde, portanto, o hábito de tal esforço, e geralmente se torna tão estúpido e ignorante quanto é possível para uma criatura humana se tornar. O torpor de sua mente o torna não apenas incapaz de saborear ou tomar parte em qualquer conversa racional, mas de conceber qualquer sentimento generoso, nobre ou terno e, consequentemente, de formar qualquer julgamento justo a respeito de muitos dos deveres comuns da vida privada.

In the progress of the division of labour, the employment of the far greater part of those who live by labour, that is, of the great body of the people, comes to be confined to a few very simple operations, frequently to one or two. But the understandings of the greater part of men are necessarily formed by their ordinary employments. The man whose whole life is spent in performing a few simple operations, of which the effects are perhaps always the same, or very nearly the same, has no occasion to exert his understanding or to exercise his invention in finding out expedients for removing difficulties which never occur. He naturally loses, therefore, the habit of such exertion, and generally becomes as stupid and ignorant as it is possible for a human creature to become. The torpor of his mind renders him not only incapable of relishing or bearing a part in any rational conversation, but of conceiving any generous, noble, or tender sentiment, and consequently of forming any just judgment concerning many even of the ordinary duties of private life.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Smith, Adam (1776). An Inquiry into the Nature and Causes of The Wealth of Nations.  Book V: On the Revenue of the Sovereign or Commonwealth. Chapter I: On the Expenses of the Sovereign or Commonwealth. Part III: On the Expense of Public Works and Public Institutions. Article II: On the Expense of the Institutions for the Education of Youth.

NOTÍCIAS: Por que devemos focar no ‘como’ e não no ‘por que’ trabalhamos.

Notas.

Por que o trabalho moderno parece tão insatisfatório? Será que estamos cometendo o erro de procurar o “por que”, quando deveríamos desesperadamente responder “como”?

Se pudéssemos inventar empregos, teríamos que nos esforçar muito para criar algo tão pouco satisfatório quanto os trabalhos do início do século 21.

Uma série de reuniões intermináveis que nos fazem esquecer do nosso próprio nome, e-mails que parecem idênticos àqueles que deletamos no dia anterior – tudo isso em meio ao burburinho dos escritórios de design aberto, sem paredes ou divisórias.

Passei os últimos dois anos pesquisando e escrevendo um livro sobre como melhorar a cultura corporativa moderna – e o que observei foi um lembrete chocante do que precisa ser consertado.

Os desafios envolvendo os ambientes de trabalho modernos vão além das distrações, se traduzindo em algo mais substancial. A Mental Health Foundation (ONG dedicada à pesquisa da saúde mental) diz que 74% dos britânicos se sentiram sobrecarregados por estresse em algum momento do ano passado, sendo o trabalho a principal causa.

Segundo algumas estimativas, funcionários dos quais se espera que permaneçam online após o expediente passam mais de 70 horas conectados ao escritório por semana.

Metade das pessoas que fazem horas extras apresentam os níveis mais altos de estresse.

É por isso que palestras de consultores motivacionais, como Simon Sinek, parecem ser cada vez mais incompatíveis com a experiência dos profissionais no ambiente corporativo.

Quando ‘por que’ não é suficiente.

Sinek ganhou fama e reconhecimento por insistir na tese de que os millennials precisavam entender o “por quê” do trabalho antes de se comprometerem com os desafios envolvidos.

“Grandes empresas não contratam pessoas qualificadas e as motivam, elas contratam pessoas motivadas e as inspiram”, declarou Sinek.

A inspiração, no caso, seria dizer “por que” eles estavam fazendo o trabalho. Mas está ficando claro que esse foco singular no “propósito” está criando dissonância e insatisfação no chão de fábrica.

Pessoas tomando café no trabalho

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Profissionais de todas as idades se deparam com um dos grandes “problemas de primeiro mundo”: “Como posso estar trabalhando nesta nobre organização orientada por propósitos e ainda assim não estar feliz?”

Um número cada vez maior de empregadores está sendo alvo de críticas dos funcionários pela disparidade entre o que prometeram a eles, quando se candidataram à vaga, e a realidade do trabalho.

Os protestos de funcionários do Google contra assédio sexual na empresa em 2018, um ano após a denúncia feita por Susan Fowler contra a Uber, são marcos importantes de uma longa trajetória de descontentamento no ambiente de trabalho – apesar de haver respostas grandiosas para a pergunta “por que”.

Está cada vez mais claro que, embora o foco no “por que” do trabalho possa criar uma visão atraente para um CEO se apoiar, não impede os funcionários de se sentirem desmotivados em suas mesas.

Parece que é hora de deixarmos para trás a bravata do “por que” para entrar em uma discussão relativamente mundana de “como”: “Como posso me sentir mais realizado e menos ansioso no trabalho?”

O poder das pequenas mudanças.

Embora não exista um Steve Jobs para revelar a versão mais nova e sofisticada do seu emprego, está ficando claro que somos capazes de promover mudanças no nosso dia a dia, por conta própria, que podem ajudar a tornar o trabalho menos desagradável.

Protesto de funcionários do Google

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Uma vez que os profissionais aceitam que o “como” é importante, muitos se sentem revigorados ao perceber que têm autonomia para iniciar a mudança. O maior fardo do trabalho para a maioria das pessoas é o maldito tempo gasto em reuniões. O simples ato de reduzir pela metade o número de participantes pode ser um ato de misericórdia.

O banco de investimentos Bridgewater Associates percebeu que reuniões com menos gente pareciam ser mais eficazes, elevando o nível das discussões. O desafio, neste caso, é que todo mundo acredita que é na reunião na qual não se está presente que todas as coisas boas acontecem.

Para provar que esse “medo de estar perdendo algo” era equivocado, eles começaram a gravar todas as reuniões – e o resultado foi que ninguém mais reclamou ao ser retirado da lista de participantes.

Há outras questões: os funcionários estão cada vez mais cientes de que é comprovado por pesquisas que fazer uma pausa adequada para almoçar de três a quatro vezes por semana melhora a tomada de decisão e reduz o cansaço acumulado de sexta-feira que atormenta tanta gente.

Indo mais além, se apropriar da tradição cultural sueca do fika para dar uma volta e tomar um café com um colega, como parte da rotina, parece ter efeitos positivos. Nos deixa menos intolerantes com os e-mails e refresca nossa cabeça à medida que encerramos a jornada de trabalho.

Na verdade, o proveito de caminhadas pode ser estendido – às reuniões, por exemplo, que poderiam ser conversas em movimento. A cientista Marily Oprezzo, de Stafford, no Reino Unido, descobriu que caminhar melhorou o pensamento criativo de 81% das pessoas que ela analisou.

Reunião de trabalho

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Colocar uma nova reunião na agenda pode parecer uma heresia quando tentamos organizar a semana de trabalho, mas as “reuniões sociais” estão se tornando populares.

Margaret Heffernan, que foi CEO de cinco companhias, descreveu a introdução de uma reunião social semanal em uma das empresas em que trabalhou, nos EUA, como “absolutamente transformadora” para a cultura corporativa.

Heffernan observou que incentivar os funcionários a passar um tempo socializando entre si durante a jornada de trabalho os tornava mais propensos a cooperar ao longo da semana.

Os ambientes corporativos estão contaminados pela síndrome da pressa, uma consequência das demandas implacáveis do trabalho moderno – e o impacto desse burnout (esgotamento físico e mental) pode ser complicado, especialmente para os profissionais mais jovens.

Quando o trabalho é impiedoso, o foco no objetivo grandioso do “por que” trabalhamos não vai ajudar, talvez seja hora de cuidar do “como”.

*Bruce Daisley é vice-presidente do Twitter para Europa, Oriente Médio e África. É autor do livro ‘The Joy of Work – 30 Ways To Reinvent Your Work Culture and Fall in Love With Your Job Again’ (“A alegria de trabalhar – 30 maneiras de reinventar seus hábitos e de se apaixonar novamente pelo seu trabalho”, em tradução livre).

Clique aqui para ler a matéria na íntegra e aqui para a matéria original (em inglês).

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NOTAS: Novo app Uber Works passa a oferecer vagas temporárias de emprego nos EUA.

Notícias.

Deu no Gizmodo por .

Dentre as tantas polêmicas enfrentadas pela Uber, talvez a maior delas seja sobre as questões trabalhistas. Enquanto ainda luta para defender a ideia de que motoristas não podem ser considerados funcionários, a empresa apostou em um movimento, digamos, interessante, e lançou uma plataforma para trabalhos temporários.

O aplicativo Uber Works já estava sendo testado em Chicago e agora será disponibilizado oficialmente na cidade e, futuramente, em outras regiões dos Estados Unidos. A ideia é conectar negócios a profissionais em busca de trabalhos temporários.

Caso funcione da maneira que a Uber diz, a ferramenta parece ser promissora e bem útil para trabalhadores autônomos. No app, é possível visualizar detalhes sobre o serviço solicitado, incluindo informações sobre pagamento, local de trabalho, habilidades necessárias e até mesmo o tipo de traje exigido.
Outro recurso da plataforma é a possibilidade de gerenciar o tempo de serviço prestado, permitindo incluir o horário de início, pausas e encerramento do turno.

De acordo com a publicação no blog da Uber:

Acreditamos que encontrar trabalho não deve ser um trabalho em si. Para cargos tão diversos como cozinheiro, funcionário de depósito, faxineiro comercial ou equipe de eventos, o Uber Works tem como objetivo facilitar encontrar e se oferecer para um serviço.

No entanto, conforme observado pelo Engadget, a empresa parece estar adotando uma estratégia muito cautelosa com a nova plataforma. O Uber Works contará com a parceria de agências que serão responsáveis pelos processos de contratação e financeiros, ou seja, toda a parte burocrática de contratos e pagamentos.

Apesar de parecer uma boa ideia a existência de uma plataforma que permite encontrar trabalho de forma fácil e rápida, existem algumas questões que valem ser observadas na prática. As parcerias com essas agências, por exemplo, podem ser uma forma de livrar a Uber de responsabilidades futuras, caso surja algum problema entre as empresas e os prestadores de serviço.

Outro ponto é que isso pode, de alguma forma, incentivar as empresas a optarem cada vez mais por contratos temporários. Ou seja, haveria um aumento de empregos informais e cada vez menos garantias e direitos para os trabalhadores.

Por outro lado, para quem já tem um emprego fixo e busca apenas um complemento na renda, o Uber Works pode ser útil. Outro público potencial do aplicativo são aqueles que, por alguma razão, precisam de trabalhos que ofereçam flexibilidade de horários pois não conseguem atender às exigências dos empregos tradicionais.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

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NOTAS: Estudo mostra que robôs elevam o PIB e geram emprego.

Notas.

Deu no The Wall Street Journal e na Folha por Christopher Mims.

Relatório aponta EUA atrás na adoção da automação; evitá-la fará país perder postos de trabalho para exterior.

Os robôs talvez roubem nossos empregos, mas há indícios cada vez mais firmes de que os trabalhadores têm tudo a ganhar com a presença deles. Quanto mais robôs um país tem, maior é seu PIB (Produto Interno Bruto) e mais ricos, em média, seus cidadãos, que passam a contar com mais empregos, ao contrário do que se pensa.

Os países que resistem à automação ficam para trás na criação de riqueza e de empregos. Isso pode parecer insano dado o medo de que computadores, robôs e inteligência artificial eliminem metade dos empregos humanos nos próximos 20 anos.

Também parece arriscado, da perspectiva dos executivos de primeiro escalão, porque nem todos os robôs são adequados a todos os trabalhos. Robôs subutilizados custam mais caro do que uma força de trabalho humana que atenda à demanda sazonal.

Para a economia como um todo, a automação causa alta nos preços dos bens e serviços. Os seres humanos se provaram inventivos sobre como gastar qualquer dinheiro adicional que obtenham, o que resulta em novos negócios — e mais empregos.

Relatório recém-lançado pela Fundação de Inovação e Tecnologia da Informação (Itif, na sigla em inglês) argumenta que os Estados Unidos estão ficando para trás na adoção de robôs.

Um novo índice compilado pela organização, um dos principais institutos de pesquisa sobre ciência e tecnologia, compara o ritmo de adoção de robôs industriais em diferentes países e pondera os resultados levando em conta o salário médio dos trabalhadores nesses países e setores.

A Itif constatou que os Estados Unidos adotam robôs em ritmo bem inferior ao “esperado”. A China, por outro lado, tem ritmo tão superior ao de todos os demais países que, em uma década, pode ser líder em adoção no planeta, pelo critério de comparação com a média salarial dos trabalhadores.

Quando surgiu o computador digital, na Segunda Guerra Mundial, quem teria predito que, em 2022, a América do Norte teria 265 mil mais postos de trabalho na área de segurança da computação?

Há quem argumente que não existe precedente histórico para a atual onda de inovação. Uma dessas pessoas é Kai-Fu Lee, ex-presidente das operações chinesas do Google.

Lee acredita que ela terá efeitos tão fortes quanto os da chegada da eletricidade ou do vapor, mas acontecerá muito mais rápido.

A automação toma muitas formas, mas os robôs são um foco útil, porque substituem os trabalhadores de baixa capacitação, na indústria e em outros trabalhos braçais.

Um estudo recente sobre a adoção de robôs em 17 países constatou que seu uso ampliado respondia por 0,36% do aumento no índice de produtividade por hora de trabalho.

“Ou você adota a automação ou verá empregos transferidos ao exterior para países que o fazem”, disse Robert Atkinson, fundador e presidente da Itif.

No geral, os EUA ocupam a sétima posição mundial quanto à relação entre número de robôs e número de trabalhadores industriais, mas esse indicador se traduz em apenas dois robôs para cada cem operários. Na Coreia do Sul, a relação é sete para cem.

Há diversos motivos para que as empresas americanas não empreguem maior número de robôs, diz Daron Acemoglu, professor de economia no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

Uma delas é que o país não enfrenta as mesmas pressões demográficas que a Alemanha e o Japão. A escassez de trabalhadores e os altos salários levaram esses países a tomar a liderança no uso de robôs.

A Itif estabeleceu uma correlação entre a adoção de robôs e o crescimento do PIB, mas a maneira pela qual esse aumento de riqueza é distribuído depende de como o país adota essas tecnologias, diz Irmgard Nübler, economista sênior da OIT (Organização Internacional do Trabalho), em Genebra.

Ela diz que a adoção da automação passa por duas fases iniciais: deslocamento de trabalhadores e depois crescimento do emprego.

Nübler acredita que a desigualdade recorde vista nos EUA em 2018 indique que estamos no ponto de inflexão entre essas duas fases. Sem políticas em vigor para enfrentar esses impactos, a desigualdade surgida na primeira fase pode persistir.

A última vez que vimos uma transição tecnológica como essa foi nas décadas de 1920 e 1930, quando a eletricidade e em seguida o automóvel criaram uma terceira revolução industrial.

O que surgiu em seguida foram “novas instituições e novos movimentos sociais”, ela diz, à medida que a sociedade se ajustava às mudanças na natureza do trabalho.

Um resultado foi o “movimento do ensino secundário”, quando a educação de segundo grau se tornou tanto gratuita quanto compulsória e preparou toda uma geração de americanos para deixar o trabalho rural e se tornar trabalhadora industrial, de escritório e de serviços. A era também viu a ascensão dos sindicatos e a introdução da previdência social.

 

Clique aqui para ler a matéria original e aqui para ler na Folha.

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EPISTEMOLOGIA: Anti-heurística – Popper, o irrelevante acadêmico.

Epistemologia – Anti-Heurística.

O epistemólogo Karl Popper sustentou que a coerência científica de uma época não reside na forma e na natureza das respostas que dá, mas nas questões que ela se coloca.

Tinha razão.

Na atualidade, ante o engessamento das abstrações ideológicas, como ocorre no marxismo, e da fixação em situações pretéritas, como ocorre no positivismo (aquilo que esteve posto), vivemos em uma época de indigência intelectual.

Pressionados pelo arcaísmo estabelecido, os universitários das áreas sócio-humanas se homiziam atrás de matérias sobre as quais já se demonstrou o essencial (sim as mulheres são exploradas, os pobres abandonados, a educação equivocada, a saúde esquecida, ….).

Ao se lançarem sobre temas desconectados das premências das sociedades contemporâneas, ao se repetirem, ao replicarem, ao reiterarem o já sabido, as frações da academia que se autodenominam de ciências aplicadas, se dedicam, em sua maioria, ao inaplicável.

As ciências básicas não devem, é claro, se sujeitar às demandas do momento. Deixariam de ser básicas ou puras, como alguns preferem denominar. Mas os saberes instituídos não deveriam marginalizar os temas do momento: fundamentalismos, opressão governamental, drogas, fim do emprego, tirania empresarial, criação e acesso, ….

É verdade que sempre houve, e deve mesmo haver, uma defasagem entre o foco da instituição acadêmica e o interesse das sociedades. Mas esta defasagem tem um limite: o da irrelevância.

Viciados em chavões, os universitários se tornaram monomaníacos. Especialistas em autores e não em ideias, desenvolveram competências unicamente para a repetição.

Como os papagaios.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Popper, Karl (2008) Conjecturas e refutações: o progresso do conhecimento científico. Brasília, tradução Sérgio
Bath. Editora da UNB

NOTAS: Porque devemos parar de trabalhar.

Notas.

Josh Cohen, psicanalista e professor de literatura, reuniu os argumentos e exemplos das duas disciplinas para fundamentar a convicção de que a criatividade e a serenidade na vida depende de trabalharmos o mínimo possível.

Em outros termos, quanto menos trabalhamos, melhor é o resultado da nossa atividade. Na esfera psíquica e na social.

 

 

 

 

Cohen, Josh (2019) Not Working: Why We Have to Stop. London. Granta Books
UTILIZE E CITE A FONTE.

NOTAS: O que fazer com o Velho?

Notas.

Na Revista Inteligência, meu artigo sobre o trabalho na terceira idade.

telephoneTrês obras são fundamentais para entender a situação dos trabalhadores que alcançam transpor a maturidade. “Saber Envelhecer – Seguido de A Amizade”, de Cícero, que recolhe e informa os saberes sobre a velhice na Antiguidade, o ensaio “A Velhice”, de Simone de Beauvoir (1970), que descreve a situação sociopolítica do idoso, e “O tempo de memória”, de Norberto Bobbio (1997), que dá a perspectiva contemporânea da vida ativa do velho.

As palavras “idoso” e “velho” nomeiam aqueles que vão chegando à derradeira época da vida. Ambas denominações remetem a injustiças e incompreensões. Na nossa cultura, a palavra “idoso” liga-se à degradação física. Já o termo “velho” se relaciona à aversão social.

Se em determinadas culturas e épocas se espera que o idoso trabalhe até quando possa e se tenha pelo velho respeito e admiração; na nossa, o termo idoso é sinônimo de inútil, e o termo velho denota repulsa e desprezo.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

UTILIZE E CITE A FONTE.

NOTAS: Trabalho em geral e trabalho em abstrato.

Notas.

 

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O que o trabalho do pedreiro tem a ver com o do profissional de TI? E o trabalho do médico como o de piloto de helicóptero? Muito pouco, diríamos. No entanto o trabalho como tema de formulações teóricas e práticas tem sido tratado como um fenômeno unívoco. Este entendimento, costume ou vício data do Renascimento. Até então sequer existia um termo genérico para o que hoje denominamos trabalho. São dois os pais da ideia: os filósofos John Locke, que em 1690 descreveu a noção de trabalho em geral, e Adam Smith, que em 1776 definiu o trabalho em abstrato. Com o passar do tempo, ficou evidente que estes conceitos se tornaram insuficientes para explicar o fenômeno do papel do fator humano na produção e para esclarecer sua situação no quadro econômico-organizacional. Esta é uma discussão que ressurge periodicamente, sem que, no entanto se avance na equalização das dificuldades que gera. O texto em anexo, publicado na Gestão.org, é uma contribuição para o processo de reconstrução do corpus conceitual contemporâneo do gerenciamento  de pessoas. Nele são analisadas as contribuições de John Locke e de Adam Smith, e examinados os que termos em que permanecem ou vêm perdendo vigência os atributos relativos ao conceito de trabalho em geral e ao conceito do trabalho em abstrato por eles formulado.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

Resumo: A evolução dos métodos administrativos e da tecnologia da informação, aliada à sucessão de crises morais e econômicas que assistimos na última década, determinou alterações profundas na forma de ordenar e de gerenciar as organizações. O entendimento do papel do fator humano na produção, particularmente no que se refere aos conceitos utilizados na gestão de recursos humanos, se tornou insuficiente para explicar o fenômeno do trabalho e para esclarecer sua situação no quadro econômico-organizacional contemporâneo. Neste artigo procuro contribuir para o processo de reconstrução do corpus conceitual do gerenciamento de pessoas que hoje se delineia. Analiso as contribuições de John Locke e de Adam Smith, examinando os que termos em que permanecem ou vêm perdendo vigência os atributos relativos ao conceito de trabalho em geral e ao conceito do trabalho em abstrato por eles formulado.

Palavras-chave: trabalho, racionalidade, administração, recursos humanos, Locke, Smith.

Abstract ∗ Artigo recebido em 19.10.2006, aprovado 20.12.2008 1 Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor e Pesquisador da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Praia de Botafogo, 190, sala 508, Rio de Janeiro, RJ, CEP: 22250-900. E-mail: Hermano.roberto@fgv.br Revista Gestão.Org – 7 (1):119-136 – Jan/Abr 2009 Hermano Roberto Thiry-Cherques Gerenciamento de Pessoas: Sobre a Formação dos Conceitos de Trabalho em Geral e em Abstrato: de John Locke a Adam Smith 120 The evolution of management and technology of information associated with the moral and economic crises we attend in the last decade determined deep transformations in the way we manage and design organizations. The understanding of human factor role in production, mainly the use of concepts employed in human resources management, became inadequate to explain the phenomenon of work and to clarify its situation in the economic-organizational contemporary frame. In this article I seek to contribute to today’s reconstruction of people management conceptual corpus analyzing John Locke’s notion of work in general and Adam Smith’s notion of abstract work.

Keywords: work, rationality, management, human resources, Locke, Smith.

Recuperável em ➽ https://periodicos.ufpe.br/revistas/gestaoorg/article/view/21545/18239

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, H. R. T.. Gerenciamento de Pessoas: Sobre a Formação dos Conceitos de Trabalho em Geral e em Abstrato: de John Locke a Adam Smith. Gestão.Org, v. 7, p. 102, 2009.

Gerenciamento de Pessoas: Sobre a Formação dos Conceitos de Trabalho em Geral e em Abstrato: de John Locke a Adam Smith∗

People Management: On Concepts Formation of Work in General and Abstract, from John Locke to Adam Smith

NOTÍCIAS: Por que Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho em 1930?

Notícias.

Deu na BBC por Rafael Barifouse:

Caso seja confirmada a extinção do Ministério do Trabalho no governo de Jair Bolsonaro, conforme anunciou o presidente eleito nesta semana, será a primeira vez em 88 anos que o país não terá uma pasta na área, desde que Getúlio Vargas (1882-1954) a criou após chegar ao poder.

Hoje, esse ministério é responsável por elaborar diretrizes para geração de emprego e renda, além de emitir documentos e fiscalizar as relações trabalhistas no Brasil, investigando denúncias de trabalho escravo e infantil e o cumprimento da legislação por parte das empresas. Mas sua criação teve outro propósito.

Quando surgiu, em 26 de novembro de 1930, a ideia era que a pasta fosse responsável por intermediar as relações entre trabalhadores e empresários, até então sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura.

“Era uma política alinhada com o que se pensava então sobre o papel do Estado como um mediador das relações entre grupos e indivíduos”, explica Renan Pieri, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e do Insper.

“Vargas dá um golpe de mestre e assume a dianteira deste processo, estatizando estas relações.”

A criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio foi uma das primeiras iniciativas de Vargas ao assumir o governo por meio de um golpe, após a Revolução de 1930, que culminou com a deposição do então presidente Washington Luís (1869-1957) e o impedimento de que seu sucessor, Júlio Prestes (1882-1946), assumisse o cargo, dando fim à República Velha.

A pasta foi batizada de “ministério da Revolução” por Lindolfo Collor (1890-1942), seu primeiro titular e avô do ex-presidente Fernando Collor de Melo.

“Essa revolução se refere a uma ruptura com a velha oligarquia agrária por meio da criação de um Estado positivista, a instauração de um modelo legal e burocrático que passa a organizar as relações sociais por meio do monopólio da força através de um sistema normativo”, diz Marcelo Nerling, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP).

“O Estado passa a ser o protagonista, baseado na crença de que é possível mudar a realidade social por meio de normas criadas de cima para baixo.”

Nerling explica que não havia na época no Brasil um Estado como conhecemos hoje. “A administração pública só começa a se organizar a partir da década de 1930. Até então, as principais forças do país estavam concentradas nos municípios, comandados por coronéis. Era um modelo descentralizado e patrimonialista, em que não se separava o público do privado.”

Qual foi o impacto da criação do Ministério do Trabalho?

Uma das primeiras medidas do novo ministério neste sentido foi criar uma nova regulamentação da atividade sindical, com critérios para a criação de sindicatos.

Entre as novas regras, estava haver uma única representação para profissionais de uma categoria dentro de uma mesma região, um mínimo de 30 membros, com ao menos dois terços de brasileiros, veto a qualquer manifestação política e ideológica, punições a empresários que impedissem a sindicalização dos trabalhadores e a aprovação da entidade pelo ministério – até então, não se dependia de autorização do governo.

O ministro Collor declarava na época que enxergava os sindicatos como uma forma de mediar os conflitos e tinha como objetivo trazer estas organizações para a órbita do novo ministério para que passassem a ser controladas pelo Estado.

“Vargas queria que os sindicatos se tornassem satélites do governo, politizando as relações entre empresas e trabalhadores”, diz Pieri.

Na época, o Brasil ainda era um país extremamente rural, mas havia uma indústria nascente, que ganha força em reação ao crescente impedimento de importar produtos da Europa a partir da Primeira Guerra Mundial.

Ao mesmo tempo, a abolição da escravatura lançou um grande contigente de mão de obra ao mercado enquanto houve simultaneamente uma chegada massiva de imigrantes a partir do fim do século 19, facilitada pela Constituição de 1891, que, ao mesmo tempo, consagrou o direito de livre associação.

Surge, assim, uma classe de trabalhadores urbanos e de profissionais liberais, e se formam os primeiros movimentos sindicais, que foram reconhecidos e regulamentados em lei ao longo da primeira década do século 20, primeiro para os trabalhadores agrícolas e, depois, para os urbanos.

“Com a formação de uma economia de mercado, foi natural a formação de sindicatos especializados para representar os trabalhadores”, diz Pieri.

Ao mesmo tempo, nas questões relativas a direitos, o regime de Vargas buscava atender reivindicações históricas dos trabalhadores, alinhado com a ideia da outorga dos direitos trabalhistas pelo Estado.

“Vargas havia acompanhado o que ocorreu na Rússia a partir de 1917 com a revolução, quando, em meio ao conflito entre capital e trabalho, o proletariado assumiu o poder. Então, ele, que era um capitalista, sabia aonde isso poderia acabar”, diz Nerling.

“Vargas sabia que, se os trabalhadores fizessem greve atrás de greve para reivindicar direitos, poderiam quebrar o capital. Ele opta por chamar para si a responsabilidade de regular estas relações, cria leis que vinculam os cidadãos. Entrega os anéis para não perder os dedos.”

O que mudou a cada Constituição?

O ministério teve sob Vargas uma atividade legislativa intensa. Foram lançadas medidas importantes, como a criação da carteira profissional (precursora da atual carteira de trabalho e previdência social), a regulamentação do trabalho feminino e infantil e o estabelecimento de juntas de conciliação de conflitos entre patrões e empregados, que seria um embrião da Justiça do Trabalho, criada pela Constituição de 1934 e que passaria a atuar a partir de 1941.

Também se destaca a criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões, que mudaram o sistema previdenciário do país. Ainda seriam instituídos o salário mínimo, a jornada de trabalho de oito horas e o descanso semanal, as férias remuneradas e a indenização por dispensa sem justa causa.

Uma das iniciativas de maior peso foi a instituição em 1943 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que unificou as leis trabalhistas existentes até então. O dia em que recebeu a sanção presidencial, 1º de maio, passaria a ser o Dia do Trabalho, feriado celebrado até hoje em todo o país.

As décadas após a primeira era Vargas foram marcadas por diversas mudanças nas leis e direitos trabalhistas.

Em 1946, a Assembleia Constituinte convocada após o fim da ditadura, acrescentou novos pontos como o direito à greve e o descanso remunerado aos domingos e feriados.

O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) surge em 1966, já durante o regime militar, para proteger o trabalhador demitido sem justa causa com uma conta aberta em seu nome, vinculada a seu contrato de trabalho, na qual são depositados mensalmente o correspondente a 8% do salário.

A Constituição de 1967 instituiu a aplicação da legislação trabalhista a empregados temporários, a proibição de greve em serviços públicos e atividades essenciais e o direito à participação do trabalhador no lucro das empresas, entre outras medidas.

A partir da Constituição de 1988, passam a ser previstos medidas de proteção contra demissões sem justa causa, o piso salarial, a licença maternidade e paternidade, o veto à redução do salário, a limitação da jornada de trabalho a oito horas diárias e 44 horas semanais e proibição de qualquer tipo de discriminação quanto a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência. Também foi criado o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), destinado em parte ao custeio do Programa de Seguro Desemprego.

“São políticas criadas e geridas dentro do Ministério do Trabalho, por ele oferecer um corpo técnico e orçamento dentro do governo para discutir essas relações, mas que têm muito mais a ver com o ambiente político de cada época, a pressão popular por mudanças e cada governo do que com o órgão em si”, avalia Pieri.

O economista destaca que a partir dos anos 1990, a pasta assume um papel cada vez mais de fiscalização do cumprimento das normas e leis trabalhistas e na gestão de recursos como os do FGTS e do FAT.

E se o ministério acabar?

Se sua extinção se confirmar, não será a primeira vez que o Ministério do Trabalho será fundido com outras áreas.

Ao surgir em 1930, a pasta também era responsável por indústria e comércio. Em 1960, passa ser Ministério do Trabalho e Previdência Social. Torna-se puramente Ministério do Trabalho em 1974. Em 1990, volta a incorporar a Previdência.

Dois anos depois, passa a ser o Ministério do Trabalho e da Administração Federal e, em 1999, do Trabalho e Emprego. Em 2015, vira mais uma vez Ministério do Trabalho e Previdência Social, até, em 2016, tornar-se novamente apenas Ministério do Trabalho.

Ao tratar do tema, Bolsonaro já declarou em entrevistas que o trabalhador terá de”decidir entre menos direito e emprego ou todos os direitos e desemprego”. “Os encargos trabalhistas fazem com que se tenha aproximadamente 50 milhões de trabalhadores brasileiros na informalidade”, disse à rádio Jovem Pan.

Pieri avalia que, com o anúncio do fim da pasta, surge uma “incerteza jurídica” sobre quem exercerá os papéis que hoje cabem ao ministério. “Isso é uma questão mais importante do que se terá ou não um status de ministério, que é algo secundário.”

Nerling discorda e acredita que a transformação da pasta em uma secretaria sinaliza quais serão as prioridades do novo governo.

“Isso representa uma mudança de paradigma. Quando você dá a uma área status de ministério, diz que as políticas públicas nesta área serão priorizadas. Em um governo, a tomada de decisões ocorre em camadas, e a alteração de status precariza o cumprimento das competências que hoje cabem ao ministério, retira força e abala a eficácia de suas políticas”, diz Nerling.

“Ao dizer que se deve escolher entre trabalho e direitos, o presidente eleito diz que os direitos são um problema, mas isso só é um problema para o capital. Se antes o Estado se posicionava para garantir os direitos dos trabalhadores, agora, ele pesa a mão para o outro lado e passa a priorizar o capital.”

Por sua vez, Pieri destaca que, com a Reforma Trabalhista, passou a prevalecer sobre as leis trabalhistas a negociação entre sindicatos e empresas.

“O fim do ministério pode sinalizar um novo tempo em que o Estado não mais intermedia a relação entre capital e trabalho. Isso teria no futuro o efeito de despolitizar os sindicatos”, diz Pieri.

“Será necessário entender o que o presidente quis dizer com o fim do ministério. Significa um relaxamento da fiscalização e que o governo não está mais pensando nestes problemas ou apenas uma mudança burocrática? Bolsonaro não pode dar uma canetada e tirar direitos, mas temos de debater se alguns benefícios previstos na lei de fato beneficiam o trabalhador.”

 

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NOTÍCIAS: Pater familae.

Notícias.

Labourers at lunch on the West Side, New York, 1967. Photo by Danny Lyon/Magnum

Pesquisadores norte-americanos indicam que o declínio do emprego está afetando um dos traços mais sensíveis e antigos das culturas ocidentais: a masculinidade. O decaimento do trabalho assalariado está compelindo a um ajustamento traumático do pater familiae como sustentáculo do sistema comunitário.

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NOTÍCIA: Novas tecnologias podem provocar saída de multinacionais do Brasil.

Notícias.

Deu na FolhaPara José Pastore, redução de custos com indústria 4.0 tira atrativo da mão de obra barata no país.

A quarta revolução industrial vai tirar o atrativo do custo baixo da mão de obra brasileira para as empresas, pois as novas tecnologias têm permitido que elas consigam “fazer mais do que antes, com menos pessoas, menos salários, menos dor de cabeça”.

A afirmação é de José Pastore, 82, um dos maiores especialistas brasileiros em relação do mundo do trabalho.

Também chamada de indústria 4.0, a quarta revolução industrial é o uso de tecnologia, como internet das coisas e robotização, para que as empresas otimizem sua produção por meio de coleta e análise de dados em tempo real.

Segundo ele, há o risco de que muitas multinacionais deixem de ver vantagem em operar no Brasil, que, além de permanecer longe da fronteira tecnológica, sofre com precariedade educacional crônica e com excesso de burocracia.

Pastore, presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP, promoveu recentemente o seminário “Como será o trabalho do futuro à luz de novas tecnologias?”.

Há um esforço para mensurar quantas vagas serão criadas e eliminadas na esteira da quarta revolução industrial. Há um exagero nisso?

– Acho que essa ansiedade é mundial, não há uma família do mundo que não pergunte: “O que vai acontecer com emprego do meu filho, do meu neto, com a entrada de tantos robôs no setor produtivo?”. Na literatura, você vai encontrar resposta para tudo. Tem gosto para tudo. Você vai ter autores de respeito dizendo que [a tecnologia] mais destrói do que cria, e vai ter outros dizendo que mais cria do que destrói. E tem aqueles por quem tenho muita admiração que dizem: “A questão não é o que destrói e o que cria, o problema é o que é transformado”.

A grande maioria dos empregos e do trabalho certamente passará por muita transformação em razão das mudanças tecnológicas. E isso aqui também tira o sono da gente, porque a pergunta é: “Será que o país, a escola, a empresta estão preparadas para fazer o ajuste?”.

Por que o sr. disse admirar os especialistas mais moderados nesse debate?

– Porque, olhando para os países, você vai encontrar casos como EUA, Japão e Alemanha, que usam novas tecnologias em grande profusão e têm nível de geração de emprego admirável, desemprego baixíssimo. A literatura mostra que na Alemanha a velocidade de entrada de robôs é igual ao surgimento de novos empregos. Os EUA estão com 4% de desemprego. O Japão também. Essa questão de que só destrói não é verdadeira, há empregos que são destruídos e outros que são criados, e a grande maioria se transforma.

Há diversas projeções divergentes sobre o impacto da tecnologia sobre o emprego. Isso tira credibilidade do debate e gera mais confusão do que orientação?

– Acho que as divergências que surgem só agravam a ansiedade que existe. Há estimativas diferentes, mas também estudos como o da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que dizem que a profissão não some. Quem é médico hoje vai continuar médico daqui a dez anos, oito anos, mas o que ele vai fazer vai ser transformado.

Outros falam que não é questão de olhar o saldo, vamos olhar o impacto na renda, que desiguala ou cria polarização porque destrói muitas atividades do meio e preserva as pontas, as altamente especializadas e as que não podem ser robotizadas embaixo, que é o zelador, o garçom, a enfermeira, quem faz manutenção de equipamentos.

O sr. mencionou que as chamadas profissões do meio estão desaparecendo. O que mais já se vê de transformação concreta?

– Você vai ter mudança de funções de atividades a começar pela sua profissão de jornalista. A sua profissão está cheia de novidade. É possível escrever uma reportagem sem a participação do jornalista humano.

Há advogados de ponta que fazem a petição deles em cima de um número monumental de informações [levantadas por tecnologia] para fazer o melhor argumento possível. Na medicina, há os médicos que confiam mais no diagnóstico feito por robôs e big data do que no seu próprio.

Isso também já é visto aqui no Brasil?

– A CNI (Confederação Nacional da Indústria) tem pesquisas mostrando que menos de 40% das indústrias brasileiras estão na quarta revolução industrial. E as que estão entram lentamente. No setor de serviços, a coisa é diferente. No financeiro, a velocidade é espantosa, de automação e inteligência artificial.

O risco de que a atual revolução tecnológica aumente a desigualdade de renda é concreto? Essa ameaça existe no Brasil?

– O risco é concreto porque aumentou a diferença da remuneração do capital em relação à remuneração do trabalho. A remuneração do capital está maior que a do trabalho porque as tecnologias dão saltos de produtividade fantásticos e acabam dispensando certas habilidades humanas. A remuneração do ser humano tende a ser postergada ou reduzida em relação à remuneração do capital, e isso gera desigualdade.

Isso é uma coisa séria para o Brasil porque muitas multinacionais vêm pra cá, assim como para outros países em desenvolvimento, porque o trabalho ainda é barato. Agora, com as novas tecnologias, o trabalho brasileiro, apesar de barato, se torna muito caro, porque você consegue fazer muito mais do que antes, com menos pessoas, menos salários, menos dor de cabeça.

Muitas multinacionais começam a apresentar sinais de volta aos países de origem porque lá elas conseguem fazer mais quase sem trabalho, com muita automação, além de estarem perto da logística e do consumidor. Isso é um problema que preocupa bastante.

O que o Brasil poderia estar fazendo?

– Para enfrentar essa questão de desigualdade de renda, destruição de emprego, transformação de trabalho etc., os países avançados, como EUA, Alemanha e Coreia do Sul, possuem conselhos especializados na formulação de políticas especificas para esse assunto.

No que tange à qualificação da mão de obra, não preciso dizer que nosso sistema educacional tem uma precariedade crônica. As burocracias também estimulam a automação, a inteligência artificial. Quando o empresário vê que é muito complicado, ele fala “eu vou robotizar”. Então, burocracia tributária, trabalhista, do ambiente instigam uma aceleração da busca de proteção do negócio via automação. E a gente está fazendo pouco nesse campo aqui. No campo tributário, Bill Gates acha que está na hora de pensar em tributar robôs.

 

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TRABALHO: A naturalização do trabalho dependente.

Trabalho.

O ser humano, escreveu Foucault, “… é uma invenção que a arqueologia do nosso pensamento mostra ser de data recente”.

De fato, a forma como nos concebemos é situada. Tende ao deslocamento e à obsolescência. Em cada época e lugar foram engendradas teorias, explicações e conceitos sobre a natureza do homem e, com maior variação, sobre a sua forma de agir. Dentre estas invenções, figura a do trabalho: a ideia de um conjunto de operações regulares e reiteradas, direcionada à criação de bens e valores.

A modalidade trabalho remunerado foi concebida em função das necessidades organizativas da economia. Mas os traços distintivos do entendimento de normalidade da vida social – estabilidade precária e plasticidade necessária – são, em si, contraditórios. Por isso, no final da Idade Média, uma prótese foi adicionada à invenção original: o emprego, a formação em que se abdica da plasticidade em benefício da estabilidade.

Velho de séculos, o trabalho dependente criou tabus que o sustentam para além da lógica econômica: o de discutir a utilidade do que fazemos e o de questionar as implicações ético-sociais do que contribuímos para produzir.

É característico destas interdições que ao perguntarmos ao operário, ao funcionário ou ao servidor sobre o seu trabalho, os elementos eficazes das funções sejam relatados como acessórios. A capacitação, a subsistência, o conhecimento das normas e dos passos, as técnicas, a afetividade, as tecnologias, as operações, as regras de convívio e as relações hierárquicas se mesclam e são consideradas todas naturais.

Parece irrefutável que a naturalização do trabalho assalariado decorre do incômodo que as alternativas imporiam à classe dos contentes e do duplo risco de expor a artificialidade do instituto e a vacuidade da existência profissional.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
Cf. Descola, Philippe (2014) La composition des mondes. Entretiens avec Pierre Charbonnier. Paris. Flamarion

Foucault, Michel (2007). As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Tradução de Salma Tannus Muchail. São Paulo. Martins Fontes.

 

NOTÍCIA: Pessoas que desistem de procurar emprego.

Notícias.

Deu na Folha: Em cinco anos, dobra o número de pessoas que desistem de procurar emprego. Segundo IBGE, Brasil termina 2017 com 26,4 milhões de subempregados.

O número de pessoas que perderam a expectativa de conseguir um emprego e desistiram de procurar uma vaga de trabalho – chamados pelo IBGE de desalentados – dobrou nos últimos cinco anos.

Segundo dados da PNAD Contínua, divulgada nesta sexta-feira (23) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o total de pessoas em desalento chegou a 4,3 milhões de pessoas no final de 2017.

Esse é maior número já registrado desde o início da série histórica, em 2012, quando 1,9 milhão eram considerados desalentadas. No fim de 2016 o número era de 3,8 milhões. Continuar lendo

As mentiras mais comuns em currículos.

Notícias.

Resultado de imagem para currículo falso

Deu no G1:

De acordo com Renata Motone, da empresa de recrutamento Luandre, muita gente ‘melhora’ o currículo e isso pode limar de vez as chances de contratação.

No desespero para conseguir uma vaga de emprego, alguns candidatos chegam a apelar para mentiras. Mas aquela “melhoradinha” no currículo que parece inofensiva pode riscar o nome de um profissional de vez da lista de possibilidades de contratação de uma empresa.

É o que diz Renata Motone, coordenadora de recursos humanos da companhia de recrutamento Luandre. Para ela, além de não ter as qualificações requeridas, o mentiroso ainda demonstra falta de ética.

“Frente a tudo que se acompanha no noticiário sobre a vida política no Brasil, a última coisa que queremos incentivar é a mentira”.

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Conceito: Trabalho dependente – trabalho independente.

Trabalho.

Em alguns países europeus, a convenção acadêmica e jurídica adota as expressões “trabalho dependente” e “trabalho independente” para significar as modalidades de relação do trabalhador com uma estrutura hierárquica.

Trabalhador independente” é todo o aquele que desenvolve o trabalho por conta própria, utilizando os seus próprios meios e instrumentos. “Trabalhador dependente” é todo aquele que está integrado na estrutura hierárquica de uma organização, utilizando os meios e instrumentos de trabalho a ela pertencentes.

Na Europa o foco da maior parte das discussões sobre a questão laboral é o da substituição acelerada – e aparentemente irreversível – do trabalho dependente pelo independente. No Brasil cuidamos e discutimos quase com exclusividade a modalidade declinante do trabalho dependente: a do emprego.

 

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Melhores Empresas para Trabalhar.

Notícias.

Veja aqui o Ranking Nacional das Melhores Empresas para Trabalhar da 21ª edição do Great Place to Work.

 

 

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