ÉTICA: Obscena obsolescência.

Ética.

A obsolescência programada figura dentre as imoralidades mais lucrativas que existem.

O descarte do automóvel do ano passado, a roupa nova que deixa de ser usada porque saiu de moda, a reciclagem do que ainda funciona habituam à aceitação da má qualidade e à maquiagem do arcaico.

A sociedade de consumo forçado interdita a diversidade, a inovação, o acréscimo criativo dos bens e dos serviços que a humanidade necessita ou que deseja, como a moradia digna, a roupa que não se desgasta, a Internet franqueada.

No sistema em que a vida útil de tudo é propositadamente encurtada, sufoca-se todo e qualquer sentimento de culpa pelo que inutiliza. Criam-se falsas necessidades e desejos fictícios. A simples ganância rege o descompromisso absoluto com a racionalidade.

Parasitária, a obsolescência programada se nutre da destruição do esforço humano e o despoja do seu espírito. Deprime as consciências, colocando em seu lugar intelectos conformes.

O descarte sem sentido tem origem na Roma antiga, onde os obscenae, os “cães agourentos”, se compraziam em ferir o decoro público com o esbanjamento da devassidão. À época já se considerava que o desperdício evadia o dever que se tem para com o Outro. O Outro que não é só o pobre, a criança, a mulher, o ancião. O Outro que é a humanidade, incluindo o estranho freudiano que somos e o embrião que gestamos.

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ÉTICA: Fontes da filosofia moral – G.E.M. Anscombe.

Ética.

Em um texto de apenas 16 páginas elípticas, Gertrud Elizabeth Margaret Anscombe, (Irlanda, 1919; Cambridge, 2001) fez retornar o tema da virtude ao centro das preocupações morais na segunda metade do século passado.

Publicado em 1958, o ensaio Modern Moral Philosophy critica as orientações, dominantes à época, para os deveres morais em detrimento do bem; para a imparcialidade, em detrimento da comunidade; para a teorização, em detrimento da sensibilidade.

Discípula e tradutora de Wittgenstein, Anscombe desenvolveu a action theory, uma conjectura que retoma a intencionalidade (Why?) como chave da ética. Titular de Cambridge, abonou a integridade das expressões irracionalistas, isto é, das filosofias que sustentam o primado da intuição sobre o conceito, como em Bergson, ou da ação sobre o pensamento, como nas várias formas de pragmatismo.

O legado de G.E.M. Anscombe para o século XXI foi o de ter alentado as correntes antiteóricas da ética, tanto as religiosas como as progressistas, que reivindicam a precedência da pessoa e da coletividade sobre a ideologia e a norma. Inclusive a norma legal.

 

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Anscombe, G.E.M. (1981) Collected Philosophical Papers. Minneapolis, MN. University of Minnesota Press.

Anscombe, G.E.M. (1963) Intention. Oxford: Blackwell.

ÉTICA: A fraqueza gregária.

Ética.

É preciso conhecer a noite para distinguir a claridade. Não há sol sem sombra, e toda verdade joga luz sobre os que vivem no aconchego da escuridão. Ao fazê-lo, retira suas referências mais confortadoras.

O escapado da caverna de Platão pode voltar e libertar seus companheiros. Só ele se arrisca a ser repudiado. O escapado das engrenagens do mundo contemporâneo, não. Ao mostrar que o rei está nu, faz recair sobre ele e sobre os que lhe escutam o ódio mundano.

COURAGE BY ADITYA 777

Camus escreveu que o que distingue a sensibilidade contemporânea da sensibilidade clássica é que essa se nutre de problemas morais e aquela de problemas metafísicos. O argumento é esquemático, mas verdadeiro. A sensibilidade contemporânea se alimenta de problemas da psique. Cada um se volta sobre seu pequeno mundo, interpreta a si mesmo, tenta ajustar-se à evidência da sua insignificância, procura se socorrer no convívio destituído de sentido.

Não se trata do gregarismo biológico, mas do pertencimento, da disposição infantil a aderir a qualquer coletividade, ainda que seja a dos que assistem a mesma série na Internet.

O ser humano precisa de signos de reconhecimento que o protejam da lucidez. Acena para o trem que parte e para o navio que passa, embora saiba que os passageiros não o podem ver.

Somos como o menino que assovia na escuridão da noite para dissimular o medo que sente de estar só.

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Camus, Albert (1951) L’homme révolté. Paris. Gallimard

ÉTICA: Porres – Entre a lei e o dever moral.

Ética.

Damien Cabanes
Legs in the air, 2013. Oil on canvas.

A ética é a ciência que nos permite decidir sobre questões cruciais, que nos permite escolher entre valores que se cruzam, como a lei e o dever moral.

Veja-se o caso do santo Frei Martin de Porres, relatado por Ricardo Palma nas Tradiciones Peruanas.

A Tradición se passa em Lima, no convento dos dominicanos, por volta do ano da graça de 1630. Frei Martín, um mulato humilde, que, devido a cor da pele, teve dificuldade de ingressar na Ordem dos Dominicanos, tinha fama de milagroso. O prior de seu convento, incomodado com a quantidade de pessoas que vinham solicitar ajuda a Martín, o proibiu de continuar fazendo milagres.

Um dia, um pedreiro que reparava o teto do claustro resvalou do andaime. Ia se esborrachar no chão se não tivesse gritado: “Salve-me, Frei Martin!” Imediatamente, Martin alçou a mão e disse: “Espere irmãozinho, que eu vou pedir a permissão do meu superior!

Está em documento, aceito pelo Vaticano, que o pedreiro pairou no ar até que o reverendo prior autorizasse o milagre, explicando, que não voltara atrás, mas era que o prodígio já estava feito. Como bom Dominicano, acrescentou: “e que isto não se repita”. Martin voltou apressado ao claustro e fez com que o pedreiro baixasse docemente ao solo.

Frei Martin soube conciliar a burocracia com a iniciativa, a lei com o dever moral. Não por acaso, nem por falta de outros milagres, foi canonizado em 1962 pelo papa João XIII.

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Palma, Ricardo (1969) Los ratones de fray Martín. In, Tradiciones peruanas completas. México, Editorial Cumbre.

ÉTICA: Ética e moral.

Ética.

Kandinsky – Composición VIII 1923

Até o início do século XIX, a tradução latina “moralis” para o termo grego “ethikos” foi julgada exata. A diferenciação entre os termos ética e moral são recentes e arbitrárias:

  • a ética seria afeta à busca do bem viver (a bela vida, o conatus, o esforço para realizar a natureza humana), e a moral à noção de enunciado de obrigações (baseada em Aristóteles);
  • a ética seria referida às prescrições particulares, convenientes à “realização de si”, ao desejo de dar sentido à própria existência; e a moral seria afeta aos deveres universais, conveniente à autonomia do sujeito enquanto parte da humanidade (popularizada por Habermas);
  • a ética seria referida à conduta pública e coletiva, e a moral à conduta privada e social (sem fonte precisa. Talvez se deva a que o termo ethos denote também “comportamento” e “caráter”, como na expressão “o ethos de um povo”);
  • a moralidade indicaria o aspecto subjetivo da conduta e a intenção do agente, e a eticidade indicaria o conjunto de valores morais efetivamente realizados na história (Hegel):
  • a ética seria universal, se dirigiria a todos, enquanto a moral seria particular, se dirigiria a cada pessoa (sem fonte precisa);
  • a ética seria a ciência que tem por objeto as ideias morais justificadas, e a moral denotaria a boa conduta segundo os preceitos socialmente aceitos.

A última acepção empresta ao termo “ética” uma conotação filosófica: a da reflexão sobre a conduta e sobre os princípios que permitem separar o bem do mal, o certo do errado; e empresta à moral uma conotação antropológica, ligada à cultura e à história. Este é o entendimento da maior parte dos filósofos, que segue a distinção dos estoicos entre os atos conformes (katorthômata) e os atos convenientes (kathekonta).

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Hegel, Georg Wilhelm Friedrich (1997) Princípios de filosofia do direito. Tradução de Orlando Vitorino. São Paulo. Martins Fontes. (§ 106 e ss. e § 142 e ss)

Cicéron (2002) Les Paradoxes des Stoïciens. Texte établi et traduit par: J. Molager. Paris. Belles Lettres. [Parad. III]

ÉTICA: O castigo, o arrependimento e o perdão.

Ética.

A restauração da moralidade.

Nenhuma punição é efetiva para conter as infrações morais. A lei de Talião, “olho por olho, dente por dente”, não é um ato de justiça, mas de vingança.  Os castigos físicos – da palmada infantil à tortura mais cruel -; e as penas de exclusão –  do ostracismo ao encarceramento –  não redimem e não reparam o mal feito.

A restauração da moralidade poderia se dar pelo binômio arrependimento & perdão. Mas nem um nem outro tem efeito assegurado.

O arrependimento não é uma categoria ética universal. Quando o primeiro ministro japonês se diz arrependido pelo que foi feito no passado, e pede perdão aos coreanos pelos crimes de guerra cometidos, aplica um rito judaico-cristão que não faz sentido na sua cultura. Só os ofensores de fato podem se arrepender. Ninguém pode sentir remorsos pelo que não fez.

É possível que o perdão estanque processos de transgressão ética. É o que se espera das anistias. Mas o efeito do perdão só se verifica a posteriori. Quando o Papa pede perdão aos judeus pelos crimes cometidos pela Igreja, desde a Inquisição até a cumplicidade com o Shoá (o Holocausto), é perfeitamente entendido, ainda que o perdão não possa ser outorgado. Só os ofendidos podem perdoar. E nenhum dos seis milhões de mortos está presente para fazê-lo.

O castigo, o arrependimento e o perdão são anestésicos morais. Desde a Antiguidade, sabemos que a restauração ética deriva unicamente da verdade, da persuasão e do exemplo.

 

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ÉTICA: Levi – A insubordinação imponderável.

Ética.

“Os monstros existem, mas são muito poucos para serem verdadeiramente perigosos. Mais perigosos são os homens comuns, os funcionários prontos para acreditar e agir sem fazer perguntas”.

O termo “mercado” denomina genericamente os detentores do poder econômico, financeiro e comercial. O termo “academia” denomina os controladores do saber estabelecido. Sabemos o que ocorre com aqueles que ousam contrariar os interesses destas pequenas coletividades. Sabemos, também, que aqueles que se colocam à serviço do Príncipe não podem escapar da imoralidade. São como os mafiosos, que auferem benefícios e segurança ao ingressarem na corporação, mas que estão presos para sempre à omertà, escravos do seu compromisso.

Uma possibilidade de enfrentar a covardia servil é a denúncia simbólica da imoralidade.

Primo Levi, cientista, escritor e humanista, sobrevivente do Shoá, relata que numa ocasião se deparou com um experimento que obrigava um esquilo a caminhar em uma gaiola rotativa. Quando, exausto, o animalzinho adormecia, era arrastado e tombava pesadamente de costas, constrangido a retomar ininterruptamente o esforço na roda. O experimento versava sobre os problemas do sono. Periodicamente, amostras de sangue do esquilo eram retiradas para verificar a produção de toxinas resultantes da insônia prolongada.

Levi, mestre da insubordinação imponderável, esperou que o laboratório esvaziasse e desligou o motor. O esquilo dormiu imediatamente.

Talvez seja culpa dele que saibamos menos sobre o sono e a insônia, mas com certeza, Levi dormiu com a consciência tranquila naquela noite. Não por se ter amotinado ou pelo discurso inútil que não pronunciou, mas pela escara simbólica que seu gesto deixou na ordem dominante.

 

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Levi, Primo (2016). O ofício alheio. Tradução de Silvia Massimini Felix. São Paulo. UNESP

ÉTICA: A moralidade avestruz.

Ética.

Tempos como este que vivemos são propícios aos monomaníacos que tratam de encolher o mundo arrastando os simples para as ideias éticas parasitárias da dissimulação e das fobias.

A imoralidade contemporânea é marcada por duas tendências antagônicas: o menosprezo isolacionista e a depravação fundamentalista.

No isolacionismo somos chamados a aderir ao que quer que seja, mas não a participar da formulação do que quer que seja. A renúncia à discussão é postulada pelas religiões estabelecidas, pelo cientificismo, pelo ocultismo e pelo consórcio burlesco: grupos ideológicos, mídias sociais e manadas têm estruturas similares.

No fundamentalismo somos induzidos a tomar a moralidade como certa e “conforme a natureza”. A regressão à essência mistificada é defendida pelas religiões delirantes, pelas crendices prostituídas, pelo visionarismo de conveniência e pelos consórcios salvacionistas: pessoas, grupos e instituições que não aceitam que existem outras formas de ver o mundo e a moral.

Os isolacionistas e os fundamentalistas de todas as intensidades e orientações encontram em cada objeto, em cada acontecimento apenas a confirmação da própria estreiteza. Defendem com ardor a sua opinião contra toda a evidência e contra as suas próprias dúvidas. Procuram conforto em existir sem pensar, em estar sem ser.

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ÉTICA: Fontes da filosofia moral – Habermas e a ética argumentativa.

Ética.

O legado para a filosofia moral de Jürgen Habermas (Dusseldorf, 1929) será o de haver trazido à luz a ideia de que o diálogo e os conhecimentos acumulados pelas ciências humanas são passíveis de fundamentar uma ética deontológica contextualizada.

Nas obras em que trata da questão ética, Habermas defende a tese de um agir orientado à intercompreensão. Considera uma racionalidade em que a norma moral válida seria fruto do consenso obtido segundo condições ideais de comunicação, tendo os participantes os mesmos direitos e mantendo relações de liberdade e de igualdade. Continuar lendo

ÉTICA: O foco, a fatia e a nódoa.

Ética

As iniciativas de restauração da moralidade têm obtido êxito ao seguir três dispositivos: o do “foquismo”, o do “salame” e o da “mancha de óleo”.

São estratégias quase intuitivas. Pertencem ao corpo das operações bélicas, originárias dos cercos, da rapinagem e do contra-ataque. Isoladas ou combinadas, desgastam a vilania mediante a destruição de bases de suporte, desmantelamento dos canais de comunicação, descrédito interno e externo, etc. Continuar lendo

ÉTICA: Fontes da filosofia moral – Ayer: emotivismo e expressivismo.

Ética.

O professor Sir Alfred Jules Ayer (Londres, 1910-1989) foi afiliado ao empirismo lógico. Com base na distinção de Hume entre as proposições que enunciam relações entre ideias e as que expressam juízos de fato, sustentou que os julgamentos éticos não têm sentido cognitivo fundado na observação.

Ao cabo de uma extensa reflexão, concluiu que carecem de significado as fórmulas da moral que não são analíticas (que não expressam relações entre ideias), ou sintéticas (que não enunciam juízos de fatos). De modo que os juízos de valor da ética seriam apenas “expressões de emoções”. Continuar lendo

ÉTICA: A ética gnóstica.

Ética.

Os gnósticos pretendem que o conhecimento moral os torne angélicos. Creem que o caminho da moralidade é margeado e constrangido por tudo o que, no ser humano, representa a natureza material: o nascimento, a carne e o sangue. Aspiram a razão imaculada. Cultivam uma orientação ética que vem da pré-história. Continuar lendo

ÉTICA: Manicheist compliance – the light side of force is calling you.

Ética.

A moda da compliance se origina no imperativo de deter a imoralidade fluida e frouxa praticada pelas corporações.

O movimento de conformidade/complacência (o termo admite duas denotações) é um maniqueísmo de botequim. O maniqueísmo verdadeiro jamais foi praticado na forma em que pretende o esforço de compliance.

A seita criada por Mani, na Pérsia, é um sincretismo judaico, zoroástrico e hinduísta. Compreende uma dualidade religiosa, cuja doutrina consiste em afirmar a existência do duelo cósmico entre o Reino da Luz (o bem) e o das Sombras (o mal). A divisão é e rigorosa. A ética mani não tem a crueldade da indeterminação cristã.   Continuar lendo

ÉTICA: Instrumentalização – o sistema contra-ataca.

Ética.

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A economia ocidental é uma economia de eficácia competitiva. No entanto, as corporações se declaram como pertencendo ao mundo da conformidade social. A esquizofrenia de pretender integrar duas esferas vitais díspares enfraquece os alicerces da moralidade que deveria sustentar o sistema.

O ethos (conjunto dos valores e hábitos) no âmbito das instituições, das condutas, das ideias e das crenças tem muitas faces. Duas delas são conflitantes. Continuar lendo

ÉTICA: A reestruturação moral.

Ética.

Existe um ponto de fervura na dinâmica social em que toda a credibilidade evapora, como existe um ponto de condensação na ética em que toda crendice congela.

O descrédito e o moralismo só se resolvem quando postos em face de uma mudança estrutural, isto é, de exclusão ou da inclusão de elementos críticos no instituído.

A exclusão é um efeito, não uma causa. Tem o vezo da desolação (deixar só), de não mais se pertencer a. Nas sociedades ocidentais se excluem os miseráveis, os doentes, os velhos, os dissidentes, os insurgentes, os criativos. Não se excluem os tirânicos, os cordatos, os neuróticos, os explorados, os idiotas, os insolventes. Continuar lendo

ÉTICA: Fontes da filosofia moral – John Dewey e o Pragmatismo.

Ética & Valores.

John Dewey (1859-1952), o mais influente pensador norte americano na primeira metade do século passado, entendeu a filosofia como método para resolver problemas morais.

Foi adepto do pragmatismo – a convicção de que o agir é moralmente justificável se, e somente se, for útil ao propósito de tornar a vida mais razoável.

Dewey deixou como legado à contemporaneidade:

  • O conceito de valorização como expressão de um comportamento aprendido que se tornou habitual, e a decorrente distinção entre os atos de atribuir valor e o de avaliar,
  • A equalização entre o justo e o social, isto é, a ideia de que devemos avaliar de acordo com as obrigações que temos para com os outros, e de que, portanto, a ética deve se centrar na busca do que é útil a um futuro desejável para todos os seres humanos.

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Isomoralidade: A pasteurização das condutas.

Ética & Trabalho.

A maioria dos estudos sobre a ética laboral tem como referência as sociedades WEIRD (Western, Educated, Industrialized, Rich & Democratic). O servilismo entranhado no management tupiniquim entende estas comunidades como universais e antigas. Mas elas são particulares e recentes.

Na forma que as ciências sócio-humanas estabelecidas a reconhece e estuda, a ética trabalhista é aberrante. Aplicar suas categorias às sociedades divergentes é mais do que um erro, é uma insanidade. Continuar lendo

O servidor público em sua armadilha.

Trabalho & Ética.

Há uma insistência surda em culpar o servidor pela desmoralização dos sistemas de ingresso e acesso na administração pública. A finalidade é perversa. Fazer da vítima o algoz.

A degradação moral que assistimos não decorre do servidor, mas da obsolescência dos ideais, da evolução dos esquemas de gestão, da ignorância sobre as mentalidades e da vilania dos governantes.

A ilusão de Hegel, que propôs a função pública como garante da universalidade do Estado, expirou sem nunca ter vigido. A idealidade weberiana do profissionalismo, da formalidade e da impessoalidade foi rebaixada à retórica dos discursos de posse.
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Fontes da filosofia moral: Max Scheler

Ética & Filosofia

Max Ferdinand Scheler (1874, Munique – 1928, Frankfurt) procurou corrigir as antigas e frágeis concepções do bem e do dever. No processo, construiu uma teoria universal dos valores e das normas.

Legou à reflexão moral contemporânea as ideias: i) de que a questão da ética é subordinada à dos valores em geral e, ii) de que os valores podem ser objeto de uma intuição imediata, oferecida pela via da emoção. Continuar lendo

Fontes de filosofia moral: G.E. Moore.

Ética & Filosofia.

Na obra Principia Ethica, George Edward Moore (1873 – 1958) demonstrou a constância de uma “falácia naturalista” na filosofia moral:  a pretensão de analisar e de definir o “bem”, um termo abstrato, claramente inanalisável e indefinível.

Moore, professor em Cambridge, mostrou que o “estupor filosófico”, não estava dirigido ao mundo, mas a filosofia mesma. Frases incômodas como:  “cada coisa é aquilo que é, e nada mais”, marcaram o pensamento analítico, então nascente. Questionamentos do tipo: “se o tempo não existe, como sustentam, como posso dizer que almocei antes do jantar?”, conduziram a filosofia não para um retorno ao realismo, como muitos temiam, mas ao mundo real. Continuar lendo