TRABALHO: O pêndulo dialético – o senhor, o escravo e o trabalho digital.

Trabalho.

Recordemos o argumento de Hegel.

De um lado, temos o senhor, o mestre, o proprietário, … De outro, o escravo, o servo, o trabalhador, …

Um depende do outro. O senhor para subsistir material, social e psiquicamente; o escravo para continuar existindo materialmente. Nem o domínio do senhor é completo: não subjuga a consciência do escravo; nem o domínio do escravo é completo: está sempre em face da possibilidade do castigo e da morte.

Pawel Kuczynski

A autoconservação funda a estratégia tanto de um como de outro. O trabalho do escravo nutre as duas personalidades. Sem o trabalho ambos deixarão de ser.

O duelo não é só pela sobrevivência. É, principalmente, pela identidade.

A disputa é incessante. Mas, não pode ser consumada porque sem o trabalho do escravo não há progresso social.

Esta tensão pôs em marcha os ideais do comunismo e do liberalismo econômico. É a insolubilidade do confronto que alimenta o sentimento mais despótico do socialismo autoritário e o sentimento mais egoísta do capitalismo sem peias.

Ambos os regimes são centrados na interdição de o escravo tornar-se o senhor da sua vida.

A esperança é de que, à medida em que a automação avance, o poder dinâmico sobre o trabalho rescinda. Com a cessação do embate, o pêndulo dialético tenderia a estancar.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Hegel, Georg Wilhelm Friedrich (1992). Fenomenologia do espírito. Tradução de Paulo Menezes. Petrópolis. Vozes.

EPISTEMOLOGIA: Anti-heurística regressiva.

Epistemologia.

Revelation by Heidi Taillefer.

A busca de aconselhamento no passado e a busca de conhecimento no futuro são empresas insensatas. Tanto o tempo passado como o tempo futuro não advém, mas sobrevém. O passado, porque é da natureza da recordação assomar ao espírito. O futuro, porque é da natureza do futuro estar em aberto.

A lembrança e a antecipação compartilham o deleite impune da fantasia. Como crianças, que de um pedaço de madeira fazem um automóvel ou uma boneca, as recordações nos permitem adoçar ou salgar o que já foi, e as projeções nos permitem dourar ou obscurecer o que ainda não é. Continuar lendo

Heurística – Fantasia, o triunfo de Averróis.

Epistemologia.

No sexto volume do Kulliyat, Averróis (Córdoba, 1126 – Marraquexe, 1198) descreveu propriedades medicinais que só foram redescobertas oito séculos depois de sua morte. Há um tópico sobre as virtudes do azeite feito de “azeitonas puras e não fervidas” cuja descrição é idêntica a das publicações contemporâneas.

Isto foi possível graças à “phantasia”, uma habilidade de produção de descobertas perdida, que hoje se procura recuperar.

As fantasias são apresentações em potência de ideais e imagens sem precedentes. Diferem da imaginação, que é estéril, capaz unicamente de combinações extrínsecas. A fantasia é inteiramente intrínseca e particular. Continuar lendo

Fontes da filosofia moral: Max Scheler

Ética & Filosofia

Max Ferdinand Scheler (1874, Munique – 1928, Frankfurt) procurou corrigir as antigas e frágeis concepções do bem e do dever. No processo, construiu uma teoria universal dos valores e das normas.

Legou à reflexão moral contemporânea as ideias: i) de que a questão da ética é subordinada à dos valores em geral e, ii) de que os valores podem ser objeto de uma intuição imediata, oferecida pela via da emoção. Continuar lendo

Efeméride.

Perplexidades & Filosofia.

hegelEm Stuttgart, neste dia 27 de agosto, mas de 1770, nascia Georg Wilhelm Friedrich Hegel.

O ano de 2016 marca o bicentenário do seu ingresso como professor em Heidelberg. Hegel tinha 46 anos e já havia publicado a Fenomenologia do Espírito e a Ciência da Lógica.

As datas devem ser comemoradas com discrição e recato.

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O que é um valor?

Perplexidades & Filosofia

Conceitos & DefiniçõesValor é um bem subjetivo. Tanto no sentido abstrato, de ter valor, como no sentido concreto, de ser um valor, o termo designa um atributo das coisas que consiste em merecerem mais ou menos estima por um individuo ou por um grupo (serem desejadas), ou que consiste em satisfazerem certo fim ou interesse (serem úteis).

O valor não tem substância. É um objeto autônomo das realidades existentes. Não se pode ver o belo, mas podemos qualificar uma coisa de bela, ou de nociva, ou de boa, ou de cara …

O termo ‘valor’ tem origem econômica nos mercados da Grécia arcaica. A palavra grega para valor – áksios,a,on, – conota o bem, tangível ou não, que merece o preço que se paga por ele. A partir da Antiguidade, o conceito de valor percorre um longo caminho. Para os sofistas era uma apreciação relativa, expressa no dito de Protágoras de que “o homem é a medida de todas as coisas”.

Já Platão – contra a concepção dos sofistas de que os valores são conferidos pelos homens – sustentou que o valor deriva de uma apreciação absoluta. Tem valor o que é – em si – bom, belo, justo e verdadeiro.

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