Freud

Trabalho voluntário & Trabalho espontâneo.

Trabalho & Produtividade.

Os dicionários comuns costumam dar “voluntário” e “espontâneo” como sinônimos. Mas estes conceitos são antagônicos. Voluntário significa o que se pode optar por fazer ou não. Espontâneo é o que se faz sem intervenção da vontade. (mais…)

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Liderança autêntica, liderança libidinosa.

Trabalho & Produtividade.

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Frequentemente olhamos para o cenário político e não vemos em quem confiar, não vemos uma pessoa sequer que possa nos liderar.

Na esfera corporativa não é diferente. No caso em que a modalidade de comando por liderança é tecnicamente recomendável, o que está longe de ser a regra, procura-se quem possa assumir a tarefa e não se encontra.

Ainda assim se opta pelo sistema de liderança. Uma escolha que tem raízes no conservadorismo, na insistência em se manter ou em se adotar uma estrutura de direção convencional, mesmo quando se mostra ineficaz. (mais…)

O que é identidade?

Perplexidades & Filosofia

Colored-Fingerprint-Vector“Idem” significa, em latim, “o mesmo”, uma noção que reúne os atributos de igualdade e de continuidade. Aplica-se àquilo que é único nos diferentes momentos de sua existência, ainda que percebido, concebido ou nomeado de várias maneiras.

A identidade é um conceito que tem dupla denotação: unidade em meio à diversidade e permanência em meio à mudança. Nas duas acepções, o termo “identidade” é aplicado tanto a indivíduos – a cada trabalhador – como a coletividades – a grupos de trabalhadores.

Individual

A identidade individual, no sentido da unidade em meio à diversidade, alude à busca de determinação da pessoa, do modo como o Eu se vê a si como objeto e como um objeto em meio a outros[1]. A principal linha analítica da identidade individual é a da construção social da pessoa, o estudo de como uma comunidade constrói as concepções de cada um dos seus membros e da sua inserção na vida social[2]. Interessa particularmente ao campo do trabalho, a construção da identidade profissional, de como o trabalhador se situa e é situado entre seus pares.

No sentido da permanência em meio à mudança, a identidade individual toma o cerne da estrutura psíquica como identidade continua (o ego psicológico). Analisa os conflitos, problemas, etc. ao longo da vida individual e, por consequência, da vida laboral.[3]

As duas acepções da identidade laboral estão presentes nas discussões das ciências humanas em tematizações como “perda de identidade”, “crise de identidade”, “busca de identidade” e “colapso do ego”. Situações provocadas ou impostas por distúrbios da psique, por tradições, ideologias, pela cultura, religião, pressão social, etc.[4]

Coletiva

Aplicada a coletividades, a identidade refere à característica de um grupo de indivíduos distintos no tempo e no espaço que, no entanto, apresentam atributos e propriedades comuns. Nas ciências humanas a identidade coletiva alude a concepções como a de consciência de classe. Trata da questão de como um grupo – oprimido ou opressor – desenvolve uma percepção autoconsciente de si e se mobiliza para a ação.[5] Refere-se também à identificação de instituições e grupos, com na “identidade visual”.

A identidade coletiva no campo do trabalho liga-se, de forma similar, à recuperação ou afirmação dos denominados grupos identitários, conjuntos étnicos, etários, religiosos, de orientação sexual, etc. enquanto coletividades de trabalhadores.

Especificamente nos estudos relacionados ao trabalho, consideram-se dois tipos de identidade coletiva: a identidade de inquietações, que conformam os “grupos de interesse”, e a identidade de atributos, que conformam os grupos com predicados comuns, geralmente denominados “grupos identitários”.

Seguindo a denominação filosófica – em que as identidades diferem dos indiscerníveis (a identidade lógica (≡)) por não apresentarem a totalidade dos atributos e propriedades em comum – os grupos de interesse e os grupos identitários podem ser caracterizados por um único item – seja de interesse ou de atributo.

No campo do trabalho, os grupos de interesse mais frequentemente estudados são aqueles que apresentam traços, ambições ou rejeições comuns relacionados ao poder, a rendimentos e à segurança. Os grupos identitários mais frequentemente estudados são aqueles que apresentam traços, posições e relações ligadas ao gênero (feminismo), à formação e à faixa etária.

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[1] Berger, Peter L. & Thomas Luckmann (201). A Construção Social da Realidade: Tratado de Sociologia do Conhecimento. Petropolis. Vozes.
[2] Lasch, Christopher (1985) The Minimal Self: Psychic Survival in Troubled Times. New York. W. W. Norton & Company
[3] Freud, Sigmund (1999) Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu.
[4] Erik H. Erikson. Identity, youth and crisis. New York: W. W. Norton Company, 1968
[5] Marx, Karl (2004) Manuscritos econômico-filosóficos. Tradução de Jesus Ranieri. Boitempo Editorial.

A medida da felicidade

Epistemologia & Método

Happiness-hot-air-balloon-590x393Uma constelação de intelectos de primeira categoria, que inclui Karl Krauss, Wittgenstein, Heidegger e Canetti, recusou in limine primo a teoria psicanalítica[1].

A rejeição decorre da fragilidade da teoria, não da epistemologia adotada por Freud.

Os materiais de prova de que Freud dispunha – os sonhos, os atos de fala, os gestos – correspondem à Europa judaica, classe média, fin-de-siècle de uma estreiteza quase absurda. Eram incompletos, inconsistentes. Caducaram. Ainda assim, Freud extraiu deles um método analítico de grande alcance e seriedade. Uma epistemologia que leva em conta marcadores e não escalas, comutações (presente / ausente), e não medidas.

Freud teria sido infantil se quisesse graduar uma pulsão, um desejo, um sentimento. Soube evitar a tolice para a qual resvalaram as ciências sócio-humanas. Estas disciplinas servem-se da tèchnè, das tradições e das ilusões em partes iguais; recorrem mais aos sentimentos, aos expedientes, à imaginação, do que à razão lógica. Parodiam a Ciência, que tomam como referencia absoluta, então se tornam um pastiche, um feixe mal amarrado de crendices e técnicas numéricas desconexas[2].

É preciso desfaçatez, uma visão simplória do mundo ou um transtorno psicanalítico para aceitar que unidades escalares meçam universalmente contínuos – como a riqueza e a felicidade – e definam em graus os limites que separam a miséria da vida modesta, a indiferença da exaltação delirante.

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[1] Steiner, George (2012) Tigres no espelho e outros textos da revista The New Yorker. Trad. Denise Bottmann. São Paulo. Globo
[2] Enriquez, Eugène (2013) A vida como tempo da experiência sempre inacabada, in Adauto Novaes (org.). Mutações: o futuro não é mais o que era; São Paulo; Edições SESC SP.