Hermes

Heurística – Nostradamus: a mântica profética de Hermes.

Epistemologia.

A advertência é antiga: Jerusalém mata seus profetas, Atenas, seus pensadores. Por isto os profetas bíblicos professavam, e não profetizavam. Cautelosos, voltavam-se para o passado, para a Aliança do Povo com Yaveh e para o que ocorre (não há tempo futuro em hebraico e em aramaico) com aqueles que a rompem. Apelavam à religião interior, à verdade inscrita nos corações (Jeremias, 31).

A exceção foi José do Egito, que podia prever o futuro. Chamou sobre o si o ódio porque prenunciava, não se limitava a anunciar. A história de José, vendido como escravo pelos irmãos ao egípcio Putifar, resgatado e elevado à vizir pelo Faraó, não é inconcebível. O que o profeta diz tem poder performativo (faz com que aconteça), e poder preventivo (evita que aconteça). Difere das fantasmagorias dos videntes e adivinhos. Corresponde à conjectura “artificial” dos augures, dos harúspices e dos nigromantes. Sobrevive na heurística dos astrólogos e economistas. (mais…)

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Mântica heurística – hermenêutica.

Epistemologia.

A necessidade de crer supera o desejo de saber. Nisto reside a fortuna da mântica, a disciplina heurística da antevisão.

A mântica tem duas vertentes: a divinatória e a interpretativa. A mântica de Apolo e a mântica de Hermes. Tratamos da primeira anteriormente. Agora examinaremos a face hermenêutica da segunda. A que se ocupa do deciframento e da signalética.

A previsão hermenêutica é aplicada às experiências simbólicas, aos ensaios com fármacos, à medição das marés, ao movimento dos astros e às estatísticas. Articula os saberes por comparação de semelhanças, regularidades e permanências. Opera no nível da magia (astromancia, nigromancia, etc.), e no nível da razão (o estudo da reação dos animais na prevenção de catástrofes, os cálculos de possibilidades). (mais…)

Mântica heurística – Divinatória.

Epistemologia & Método.

Que a profecia, a adivinhação, o pressentimento e as demais categorias de impressionismo heurístico carecem de aceitação científica, é um fato. Que seguem sendo praticados nos laboratórios e nos centros de pesquisa, não resta dúvidas.

O recurso à adivinhação não é, como pode parecer, um ato estranho à busca do conhecimento. Houve, ou ainda há, uma disciplina capaz de prever o futuro: a mântica (gr. Mantiké téchnē, de mantikós,ê,ón, adivinho).

A mântica se divide em dois ramos: a de inspiração divinatória e a do deciframento dos signos. Na da adivinhação, a mântica de Apolo, a alma dos deuses se apossa do sujeito e fala por sua boca, como acontece no sonho ou na possessão. Na outra mântica, a de Hermes, existem duas vertentes. Na vertente profética o futuro é antecipado pela inspiração ou pela intuição. Na vertente interpretativa o futuro é conhecido pela decifração de signos, como o voo dos pássaros, a leitura dos fígados de bois, a quiromancia, etc.

Trataremos aqui da primeira: a mântica espiritual, divina ou de Apolo, que se ocupa dos presságios e dos vaticínios. (mais…)