heurística

Bergson: a intuição heurística.

Epistemologia

https://i2.wp.com/www.coreyhelfordgallery.com/images/products/FIRST-OF-DAYS-2004-AP-2-OF-2-01.jpgAo darmos de comer a uma criança, abrimos a boca em um movimento simpático. A intuição é este tipo de experiência. Algo que não comandamos e que não se destina a convencer, mas a comunicar. É a sympatheia, que nos leva diretamente ao outro e à nós mesmos a partir daqueles que nos cercam.

O intuitivo se dá entre o instintivo e o intelectual. Corresponde ao conhecimento direto no e pelo espírito, como ocorre na apreciação artística ou na experiência mística religiosa. Esta participação da consciência em um movimento que lhe é exterior rege as três fontes da heurística de Henri Bergson (Paris, 1859 – 1941): a problematização, a diferenciação e a apreensão da realidade no tempo. (mais…)

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Heurística – A Cabala e o déficit de significado.

Epistemologia.

Dutch Oil on wood painting of Fool 16th Century at AuctionAo lermos e exploramos o mundo pelo caminho descarnado da Internet, nos dispensamos de o interpretar. Acrônica e acromática, a linguagem da Web convence por ser imediatamente inteligível. É facilmente aceita porque não implica em nenhum significado a ser descoberto. São palavras, símbolos e ícones parqueados para que possam ser colhidos e excretados quando conveniente.

O rebaixamento de nível no processo de decodificação fez com que, em apenas duas décadas, muitos de nós abandonássemos a aspiração milenar de sermos interpretes de nós mesmos para sermos pacientes da experiência equalizada dos outros. Rastreáveis, nos inscrevemos na crônica da manada. (mais…)

Mântica heurística – hermenêutica.

Epistemologia.

A necessidade de crer supera o desejo de saber. Nisto reside a fortuna da mântica, a disciplina heurística da antevisão.

A mântica tem duas vertentes: a divinatória e a interpretativa. A mântica de Apolo e a mântica de Hermes. Tratamos da primeira anteriormente. Agora examinaremos a face hermenêutica da segunda. A que se ocupa do deciframento e da signalética.

A previsão hermenêutica é aplicada às experiências simbólicas, aos ensaios com fármacos, à medição das marés, ao movimento dos astros e às estatísticas. Articula os saberes por comparação de semelhanças, regularidades e permanências. Opera no nível da magia (astromancia, nigromancia, etc.), e no nível da razão (o estudo da reação dos animais na prevenção de catástrofes, os cálculos de possibilidades). (mais…)

Heurística – Conhecimento Tácito e abertura.

Epistemologia & Método.

Deve-se à Michael Polanyi (1891 – 1976), físico e psicólogo húngaro, a concepção da figura que denominou de “conhecimento tácito”: um saber que é informal, assistemático e quase incomunicável.

O conceito tem duas fontes. A primeira é a assertiva de Maslow de que não há substituto para a experiência pessoal. A segunda, é a proposta da Teoria da Forma, da Gestalt, de que a experiência é constituída por processos dinâmicos, organizados segundo princípios estruturais autônomos, isto é, que os indivíduos podem conhecer a totalidade de uma determinação sem interpretarem seus detalhes. (mais…)

Heurística – Fantasia, o triunfo de Averróis.

Epistemologia.

No sexto volume do Kulliyat, Averróis (Córdoba, 1126 – Marraquexe, 1198) descreveu propriedades medicinais que só foram redescobertas oito séculos depois de sua morte. Há um tópico sobre as virtudes do azeite feito de “azeitonas puras e não fervidas” cuja descrição é idêntica a das publicações contemporâneas.

Isto foi possível graças à “phantasia”, uma habilidade de produção de descobertas perdida, que hoje se procura recuperar.

As fantasias são apresentações em potência de ideais e imagens sem precedentes. Diferem da imaginação, que é estéril, capaz unicamente de combinações extrínsecas. A fantasia é inteiramente intrínseca e particular. (mais…)

Mântica heurística – Divinatória.

Epistemologia & Método.

Que a profecia, a adivinhação, o pressentimento e as demais categorias de impressionismo heurístico carecem de aceitação científica, é um fato. Que seguem sendo praticados nos laboratórios e nos centros de pesquisa, não resta dúvidas.

O recurso à adivinhação não é, como pode parecer, um ato estranho à busca do conhecimento. Houve, ou ainda há, uma disciplina capaz de prever o futuro: a mântica (gr. Mantiké téchnē, de mantikós,ê,ón, adivinho).

A mântica se divide em dois ramos: a de inspiração divinatória e a do deciframento dos signos. Na da adivinhação, a mântica de Apolo, a alma dos deuses se apossa do sujeito e fala por sua boca, como acontece no sonho ou na possessão. Na outra mântica, a de Hermes, existem duas vertentes. Na vertente profética o futuro é antecipado pela inspiração ou pela intuição. Na vertente interpretativa o futuro é conhecido pela decifração de signos, como o voo dos pássaros, a leitura dos fígados de bois, a quiromancia, etc.

Trataremos aqui da primeira: a mântica espiritual, divina ou de Apolo, que se ocupa dos presságios e dos vaticínios. (mais…)

Heurística – Conceito.

Epistemologia & Método.

A heurística é a disciplina que se ocupa da descoberta dos fenômenos. Diz respeito ao encontrar, ao dar-se conta. Trata do que alguns psicólogos (e os adolescentes) denominam de “momento do aha!”.

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Preliminares heurísticas: experimentos mentais.

Epistemologia.

As ferramentas heurísticas preambulares são a imaginação e a abstração. Ambas conformam experimentos mentais. A distinção principal entre estes experimentos e os reais está em que nos primeiros as circunstâncias não se descrevem, senão que se estabelecem e a ação se conjectura, não se presencia.

Os experimentos mentais datam dos primórdios do pensamento ocidental. São da ordem do contrafático (e se for assim?), e do especulativo (o que ocorreria?). Têm origem em Sócrates, que pergunta aos passantes na Ágora, nos diálogos platônicos, em Aristóteles. Atingem seu apogeu nas “obrigações”, uma prática da escolástica medieval. (mais…)