identidade

Identidade & trabalho: o niilismo profissional.

Trabalho.

Illustration by Henrietta HarrisO mimetismo é a face exposta do cancelamento da identidade. Desejamos ser como os outros. Procuramos as nossas convicções nas ideias aceitas (Flaubert), a orientação da nossa conduta nas convenções estabelecidas (Sartre). Procuramos nos olhares a aprovação da nossa aparência. Procuramos na forma como nos tratam a admiração ou o temor que despertamos (Jaspers).

Duas situações profissionais concorrem para o esgotamento da identidade. O associacionismo formalizado e a pasteurização dos ofícios.

Com a conquista da livre associação sindical ganhamos força, mas perdemos a referência de quando o consórcio se atrelava à uma profissão. A forma jurídica coletiva que aí está assegura mais contra o risco do desemprego em massa do que contra os riscos individuais da dignidade e da segurança. Refere-se à expectativa de manter o trabalho, não ao direito de ter um trabalho. (mais…)

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O sonho do jovem Karl.

Perplexidades & Filosofia.

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Para os que olham com o distanciamento que só a perda da fé proporciona o Marx da juventude, o Marx dos Manuscritos econômico-filosóficos, é infinitamente mais interessante que o da maturidade, daquele o senhor barbudo que escreveu O Capital.

Ao apresentar a deterioração da individualidade como consequência imediata do trabalho que “aliena a natureza do homem, aliena o homem de si mesmo, o papel ativo, a sua atividade fundamental, aliena do mesmo modo o homem a respeito da espécie; transforma a vida genérica em meio da vida individual.”[1] Marx, o moço, pintou uma imagem trágica do trabalho não criativo em qualquer época e, contrariamente ao que ele sempre acreditou, um retrato válido em qualquer sistema econômico que tenha existido ou que venha a existir.

O Marx jovem é ainda mais cativante ao descrever o ser humano livre e consciente que viria à luz quando fosse suplantada a divisão do trabalho assalariado, feito mercadoria[2]. Naquele futuro distante, o trabalhador desalienado pela falência das relações do sistema capitalista de produção, seria finalmente emancipado. Um momento que, como sabemos, não chegou a existir. E que, infelizmente, não vemos como possa vir a existir, porque as categorias que o Marx jovem e sonhador acreditou serem exclusivas do capitalismo são inerentes ao tipo de trabalho e não ao sistema econômico que o rege e explora.

UTILIZE E CITE A FONTE.
[1] MARX, Karl (2003) Manuscritos econômico –filosóficos; Tradução de Jesus Ranieri; São Paulo; Boitempo.

[2] Mészários, István (2006) A teoria da alienação em Marx. São Paulo: Boitempo.

O que é identidade?

Perplexidades & Filosofia

Colored-Fingerprint-Vector“Idem” significa, em latim, “o mesmo”, uma noção que reúne os atributos de igualdade e de continuidade. Aplica-se àquilo que é único nos diferentes momentos de sua existência, ainda que percebido, concebido ou nomeado de várias maneiras.

A identidade é um conceito que tem dupla denotação: unidade em meio à diversidade e permanência em meio à mudança. Nas duas acepções, o termo “identidade” é aplicado tanto a indivíduos – a cada trabalhador – como a coletividades – a grupos de trabalhadores.

Individual

A identidade individual, no sentido da unidade em meio à diversidade, alude à busca de determinação da pessoa, do modo como o Eu se vê a si como objeto e como um objeto em meio a outros[1]. A principal linha analítica da identidade individual é a da construção social da pessoa, o estudo de como uma comunidade constrói as concepções de cada um dos seus membros e da sua inserção na vida social[2]. Interessa particularmente ao campo do trabalho, a construção da identidade profissional, de como o trabalhador se situa e é situado entre seus pares.

No sentido da permanência em meio à mudança, a identidade individual toma o cerne da estrutura psíquica como identidade continua (o ego psicológico). Analisa os conflitos, problemas, etc. ao longo da vida individual e, por consequência, da vida laboral.[3]

As duas acepções da identidade laboral estão presentes nas discussões das ciências humanas em tematizações como “perda de identidade”, “crise de identidade”, “busca de identidade” e “colapso do ego”. Situações provocadas ou impostas por distúrbios da psique, por tradições, ideologias, pela cultura, religião, pressão social, etc.[4]

Coletiva

Aplicada a coletividades, a identidade refere à característica de um grupo de indivíduos distintos no tempo e no espaço que, no entanto, apresentam atributos e propriedades comuns. Nas ciências humanas a identidade coletiva alude a concepções como a de consciência de classe. Trata da questão de como um grupo – oprimido ou opressor – desenvolve uma percepção autoconsciente de si e se mobiliza para a ação.[5] Refere-se também à identificação de instituições e grupos, com na “identidade visual”.

A identidade coletiva no campo do trabalho liga-se, de forma similar, à recuperação ou afirmação dos denominados grupos identitários, conjuntos étnicos, etários, religiosos, de orientação sexual, etc. enquanto coletividades de trabalhadores.

Especificamente nos estudos relacionados ao trabalho, consideram-se dois tipos de identidade coletiva: a identidade de inquietações, que conformam os “grupos de interesse”, e a identidade de atributos, que conformam os grupos com predicados comuns, geralmente denominados “grupos identitários”.

Seguindo a denominação filosófica – em que as identidades diferem dos indiscerníveis (a identidade lógica (≡)) por não apresentarem a totalidade dos atributos e propriedades em comum – os grupos de interesse e os grupos identitários podem ser caracterizados por um único item – seja de interesse ou de atributo.

No campo do trabalho, os grupos de interesse mais frequentemente estudados são aqueles que apresentam traços, ambições ou rejeições comuns relacionados ao poder, a rendimentos e à segurança. Os grupos identitários mais frequentemente estudados são aqueles que apresentam traços, posições e relações ligadas ao gênero (feminismo), à formação e à faixa etária.

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[1] Berger, Peter L. & Thomas Luckmann (201). A Construção Social da Realidade: Tratado de Sociologia do Conhecimento. Petropolis. Vozes.
[2] Lasch, Christopher (1985) The Minimal Self: Psychic Survival in Troubled Times. New York. W. W. Norton & Company
[3] Freud, Sigmund (1999) Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu.
[4] Erik H. Erikson. Identity, youth and crisis. New York: W. W. Norton Company, 1968
[5] Marx, Karl (2004) Manuscritos econômico-filosóficos. Tradução de Jesus Ranieri. Boitempo Editorial.

Diferenças Culturais e Gestão.

Trabalho & Produtividade

artigo publicado na Revista Administração e Diálogo.

Neste texto discuto os riscos sobre os investimentos no exterior decorrentes das diferenças culturais. Mediante o exemplo do problema do individualismo e seus efeitos sobre a produção, exemplifico os riscos que enfrentam os que têm como parte da sua missão superar a barreira das diferenças culturais e trato das questões relativas à governança corporativa inerentes às barreiras culturais. Concluo com uma apreciação das perspectivas de superação destas barreiras, mediante a análise da formação das identidades organizacionais.

Clique aqui para ler o texto na íntegra.

 

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