management

Isomoralidade: A pasteurização das condutas.

Ética & Trabalho.

A maioria dos estudos sobre a ética laboral tem como referência as sociedades WEIRD (Western, Educated, Industrialized, Rich & Democratic). O servilismo entranhado no management tupiniquim entende estas comunidades como universais e antigas. Mas elas são particulares e recentes.

Na forma que as ciências sócio-humanas estabelecidas a reconhece e estuda, a ética trabalhista é aberrante. Aplicar suas categorias às sociedades divergentes é mais do que um erro, é uma insanidade. (mais…)

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Orwell e o crepúsculo do estamento impudente.

Ética & Credibilidade.

George Orwell photo portraitEm 25 de junho de 1903, há 113 anos, nascia em Motihari, Índia, Eric Arthur Blair.

Aventureiro, militante socialista, escritor e ensaísta, Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell, foi uma pessoa singular. Viveu o que pregou e pregou o que viveu.

Filho de uma família da elite da era vitoriana estudou em Eton. Para entender e escrever sobre as classes mais pobres, morou em favelas, trabalhou como operário e como mineiro. Viu de perto, como policial em Burma e como soldado na guerra civil espanhola, o descaso com os miseráveis e a derrota dos ideais mais nobres. (mais…)

O risco executivo.

Trabalho & Produtividade

O sofrimento doe executivos de alto nível é pouco estudado. Esta desatenção corresponde a uma falha moral – a da suposição de um conjunto de trabalhadores não precise de apoio e de ajuda. Corresponde também a um risco que transcende a vida íntima dessas pessoas: o da gestão desatinada.

Formados nas melhores universidades, conhecedores profundos da mecânica econômica, muitos dos soldados de elite das corporações vivem intimamente na incerteza de si e do futuro. Um mal-estar surdo, uma sensação de incompletude, de fracasso iminente.

As modalidades terapêuticas são paliativas. Sejam as do esporte, sejam as das viagens, sejam as da psicanálise, sejam as das drogas de vários propósitos e intensidades, acabam por trazer de volta ao escritório o mesmo executivo, que resiste até o esmorecimento da biologia e do intelecto, fatigado e insatisfeito.

Esta constatação é recorrente nas pesquisas em psicologia do trabalho. Mas poucas investigações indagam sobre a razão do mal-estar entre os executivos. A exceção é François Dupuy, do INSEAD.

Dupuy atribui o incremento das ocorrências de burnout entre os executivos ao fim do que denominou de “trabalho em silo”: a compartimentalização em que cada processo roda e é gerido autonomamente. O argumento é o de que a substituição da “silagem operativa” pela “fluidez transversal cooperativa” teria determinado a troca da crise frequente pela tensão constante.

O esgarçamento de corpos e mentes executivas decorreria do fato de que os processos de curso estável exigem cooperação em lugar da competição.

Contrariamente ao que se propala a cooperação não é um comportamento natural nas nossas sociedades. Muito menos entre gente formada na convicção do valor da competitividade e adestrada na luta fratricida pelo poder intra-organizacional.

As costumeiras “técnicas de coerção” ensinadas nas escolas de management e a internalização das condutas produtivas (process) autocorrigíveis pela discussão pública das intenções e dos atos (reporting) mapeados em planilhas de desempenho em que indicadores e índices expõem à glória e a execração (key performance indicators), não se aplicam às atividades integradas.

Moinhos de moer gente, as técnicas de coerção ao trabalho configuram mecanismos altamente eficazes nos sistemas compartimentalizados de geração de bens e serviços. Mas, são inúteis e contraproducentes quando se trata de sistemas integrados estáveis, sejam de cooperação, de colaboração, de ajuste ou de coparticipação.

A característica de mecanismos servo-controlados de fluxo constante é a força inercial depositada nas engrenagens. Uma vez disparados, é impossível retê-los ou desviar o seu curso. Qualquer mudança de orientação submerge o dirigente em um magma informe de cifras, procedimentos e normas contraditórias, o que produz um sentimento de irrealidade. Fiel aos valores que lhe foram inculcados, o executivo se vê vítima litúrgica da crença da qual é apóstolo fervoroso.

O problema documentado por Dupuy não é exclusivamente ou principalmente humanístico e sociológico. O problema é gerencial e econômico. Quadros dirigentes levados ao limite das suas possibilidades psíquicas e intelectuais transformam-se em líderes-zumbis, em decisores a esmo. Tendem à gestão inconsequente, à deseconomia administrativa de feedback reverso, em que o sistema organizacional é realimentado pelos elementos que excreta.

 

utilize

[1] Dupuy, François (2011) Lost in Management: La vie quotidienne des entreprises au XXIe siècle. Paris. Éditions du Seuil.

Gestão horizontal: ambiente mais criativo e maior organização

CATEGORIA NTDeu na Folha:

Gestões horizontais, participativas ou colaborativas vão desde a abolição quase total de hierarquia na empresa à redução de cargos de chefia. Modelos assim, flexíveis, são testados desde os anos 1960, contudo, nos últimos anos, ganharam novo fôlego ao serem reinventados pelas start-ups.

Confira aqui exemplos que têm dado certo na matéria de Fernanda Perrin.