NOTAS: Artigo – O Golen laborioso.

Notas.

Sobreviver ao TrabalhoNesse artigo apresentamos e discutimos os principais traços da mentalidade de golem como meio de sobrevivência nas organizações contemporâneas. Após algumas observações introdutórias, particularmente sobre o tema da alienação, os conceitos de mentalidade de golem e da sua adequação às formas contemporâneas de produção são desenvolvidos com base nos resultados de pesquisas acadêmicas. Essas pesquisas sugerem que a atitude próxima a dos escravos, mais do que um processo de adequação, é uma disposição ou mentalidade que permite aos trabalhadores sobreviverem às pressões do sistema.

The purpose of this article is to present and discuss the main traits of golem’s mentality as way to survive in contemporary organizations. After some introductory remarks, particularly on alienation, the concepts of golem’s mentality and of its suitability to contemporary economic way of production are developed on the basis of the results of academic surveys and studies. It is suggested that slave analogous attitude are not the result of causal adequacy, but a usual disposition or mentality that enables workers get through system pressures.

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UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, H. R. T.. O Golen laborioso. O&S. Organizações & Sociedade, v. 9, p. 143-163, 2002.

 

NOTAS: Trabalho em geral e trabalho em abstrato.

Notas.

 

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O que o trabalho do pedreiro tem a ver com o do profissional de TI? E o trabalho do médico como o de piloto de helicóptero? Muito pouco, diríamos. No entanto o trabalho como tema de formulações teóricas e práticas tem sido tratado como um fenômeno unívoco. Este entendimento, costume ou vício data do Renascimento. Até então sequer existia um termo genérico para o que hoje denominamos trabalho. São dois os pais da ideia: os filósofos John Locke, que em 1690 descreveu a noção de trabalho em geral, e Adam Smith, que em 1776 definiu o trabalho em abstrato. Com o passar do tempo, ficou evidente que estes conceitos se tornaram insuficientes para explicar o fenômeno do papel do fator humano na produção e para esclarecer sua situação no quadro econômico-organizacional. Esta é uma discussão que ressurge periodicamente, sem que, no entanto se avance na equalização das dificuldades que gera. O texto em anexo, publicado na Gestão.org, é uma contribuição para o processo de reconstrução do corpus conceitual contemporâneo do gerenciamento  de pessoas. Nele são analisadas as contribuições de John Locke e de Adam Smith, e examinados os que termos em que permanecem ou vêm perdendo vigência os atributos relativos ao conceito de trabalho em geral e ao conceito do trabalho em abstrato por eles formulado.

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Resumo: A evolução dos métodos administrativos e da tecnologia da informação, aliada à sucessão de crises morais e econômicas que assistimos na última década, determinou alterações profundas na forma de ordenar e de gerenciar as organizações. O entendimento do papel do fator humano na produção, particularmente no que se refere aos conceitos utilizados na gestão de recursos humanos, se tornou insuficiente para explicar o fenômeno do trabalho e para esclarecer sua situação no quadro econômico-organizacional contemporâneo. Neste artigo procuro contribuir para o processo de reconstrução do corpus conceitual do gerenciamento de pessoas que hoje se delineia. Analiso as contribuições de John Locke e de Adam Smith, examinando os que termos em que permanecem ou vêm perdendo vigência os atributos relativos ao conceito de trabalho em geral e ao conceito do trabalho em abstrato por eles formulado.

Palavras-chave: trabalho, racionalidade, administração, recursos humanos, Locke, Smith.

Abstract ∗ Artigo recebido em 19.10.2006, aprovado 20.12.2008 1 Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor e Pesquisador da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Praia de Botafogo, 190, sala 508, Rio de Janeiro, RJ, CEP: 22250-900. E-mail: Hermano.roberto@fgv.br Revista Gestão.Org – 7 (1):119-136 – Jan/Abr 2009 Hermano Roberto Thiry-Cherques Gerenciamento de Pessoas: Sobre a Formação dos Conceitos de Trabalho em Geral e em Abstrato: de John Locke a Adam Smith 120 The evolution of management and technology of information associated with the moral and economic crises we attend in the last decade determined deep transformations in the way we manage and design organizations. The understanding of human factor role in production, mainly the use of concepts employed in human resources management, became inadequate to explain the phenomenon of work and to clarify its situation in the economic-organizational contemporary frame. In this article I seek to contribute to today’s reconstruction of people management conceptual corpus analyzing John Locke’s notion of work in general and Adam Smith’s notion of abstract work.

Keywords: work, rationality, management, human resources, Locke, Smith.

Recuperável em ➽ https://periodicos.ufpe.br/revistas/gestaoorg/article/view/21545/18239

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, H. R. T.. Gerenciamento de Pessoas: Sobre a Formação dos Conceitos de Trabalho em Geral e em Abstrato: de John Locke a Adam Smith. Gestão.Org, v. 7, p. 102, 2009.

Gerenciamento de Pessoas: Sobre a Formação dos Conceitos de Trabalho em Geral e em Abstrato: de John Locke a Adam Smith∗

People Management: On Concepts Formation of Work in General and Abstract, from John Locke to Adam Smith

É absurdo ver vitória de Trump como retrocesso, diz Mangabeira Unger.

Notícias & Almanaque.

Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump

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Deu na BBC Brasil por Ingrid Fagundez.

Para pensar o trabalho no Brasil: Fragmentos da entrevista de Mangabeira Unger a Ingrid Fagundez, da BBC Brasil – 14/11/16.

Os brasileiros não têm razão para considerar esse acontecimento (a vitória de Trump) tão absurdo e incompreensível. O Brasil é o país do mundo mais parecido com os Estados Unidos. Como eles, nosso atributo mais importante é a vitalidade, hoje encarnada numa pequena burguesia empreendedora e numa massa de trabalhadores pobres que vem atrás dela.

A tragédia dos dois (países) é negar oportunidades à maioria, que é cheia de energia, mas sem condições de transformá-la em ação fecunda.

Na nossa realidade, o formato desse enigma foi ter confiado num projeto baseado na massificação do consumo e na produção e exportação de commodities. Enquanto a mineração e a pecuária pagavam as contas, funcionou. Quando deixaram de pagar, ruiu.

Na discussão brasileira, os dois substitutos são as agendas (anticorrupção) da Polícia Federal e do conserto das contas públicas. É isso que serve de substituto para um projeto nacional que não existe. Também há um grande vazio na política brasileira, embora com outra feição e origens. Mas o resultado é semelhante.


Não pode ser [no Brasil] a continuação do nacional-consumismo. Tem que ser um projeto focado nos interesses da produção e do trabalho.

Temos que ter um projeto de qualificação da nossa produção e dos trabalhadores na agricultura, serviços e indústria. Isso exige uma relação colaborativa entre governo e empresas, sobretudo as pequenas e médias.


Temos no Brasil 40% da população brasileira na economia informal. Na economia formal, uma parte crescente dos trabalhadores está em situação de trabalho precarizado. Se você somar os informais e os precarizados, é a maioria da força de trabalho do país. Quem os representa? Qual é o projeto para organizar, proteger e qualificar essa maioria?

A esquerda tradicional não faz isso. Ela faz parte do corporativismo das minorias organizadas, que comandam o país.

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Stiegler: Calculabilidade, o plural do singular.

Trabalho & Produtividade.

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“Calculabilidade generalizada” é uma noção posta em voga pelo filósofo Bernard Stiegler. Designa o controle digital da vida contemporânea. O conceito se articula com o entendimento de que a “miséria simbólica” do “capitalismo autodestrutivo” torna a existência calculável, desqualificando as relações sociais (Stiegler; 2009). Continuar lendo

As novas galés.

Trabalho & Produtividade.

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As galés eram embarcações de guerra. Havia de vários feitios. As galés ditas sutis não tinham porões.  As galés grossas e as bastardas dispunham de vários conveses. Todas possuíam velas, mas a principal força motriz eram os condenados, que cumpriam suas penas acorrentados aos remos.

O sistema de trabalhos forçados nas galés durou até chegada da navegação à vela no século XVI. No Brasil este tipo de apenamento só foi abolido pela constituição de 1891, dando lugar a outras modalidades de punição. Em todo o mundo os galés tardaram a desaparecer e deixaram rastros.

Em meados do século XX o trabalho burocrático, o trabalho operário e o trabalho comercial ainda guardavam características da servidão nas galés. Houve, então, a promessa de uma libertação definitiva. A esperança de que a tecnologia digital viria a nos emancipar dos grilhões do emprego, inaugurando uma época de trabalho partilhado, autônomo, intelectualizado. As estruturas rígidas de produção dariam lugar a relações colaborativas. A fluidez da informação anularia a contabilidade de processos, tempos, movimentos, certificações. A qualidade, a inovação, a customização seriam os novos parâmetros de avaliação. Continuar lendo

Precessão do Trabalho

CATEGORIA PT

Sobreviver ao trabalhoO termo revolução foi cunhado no Renascimento. Pertencia ao léxico da geometria, adotado para descrever a rotação completa de um cilindro ao redor do seu eixo. Logo migrou para a astronomia, significando o movimento contorcido das estrelas. Foi apenas no final do século XVI, quando as velhas estruturas políticas da Idade Média ruíram, que o termo assumiu um uso metafórico para descrever mudanças radicais e repentinas na sociedade e na política.

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O conceito original de rotação completa sobre um eixo real ou imaginário não se aplica ao que hoje assistimos acontecer ao trabalho. Não há somente uma rotação em volta do eixo produção-subsistência, mas uma precessão, um deslocamento das polaridades anteriores para a do consumo-inclusão. Nem o trabalho humano tem o mesmo papel que teve na geração dos bens, nem a subsistência material depende como dependeu do esforço produtivo.

Hipóteses weberianas sobre a Cultura e a Moral.

Trabalho & Produtividade.

weber

Neste artigo publicado na RAP (Max Weber e a Ética nas Organizações: cinco hipóteses sobre a cultura e a moral a partir de conceitos de Max Weber.. RAP. Revista Brasileira de Administração Pública, v. 31, n. 2, p. 5-21, 1997), mas fora do sistema SciELO, procuramos trazer as categorias de análise weberiana para o nosso tempo e aplicá-las às dificuldades morais das organizações (éticas do trabalho, dos negócios e das relações organizacionais). Para tanto, levantamos cinco hipóteses de trabalho a partir da sistematização das ideias de Max Weber sobre a cultura e a ética e de conceitos como os de afinidade eletiva, de racionalidade e de método.

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Imagine there’s no countries

CATEGORIA PT

imagine

Algumas das mutações do trabalho deste início de milênio são surpreendentes. Ancorados no presente, pensamos o futuro com as categorias do passado. Poucos atentam para onde estão indo as modalidades tradicionais do emprego e do trabalho autônomo, mas é bem possível que o trabalho na forma que conhecemos no século XX esteja a caminho dos museus e dos livros de memória. Com ele irão as avelhantadas instituições, legislações, técnicas e experiências que o escoltam, preservam e sufocam.

Os indicadores de tendências das formas e vínculos de trabalho são, sobre vários aspectos, inquietantes. Ao que sugerem os números, estamos caminhando para uma equalização online das oportunidades globais. Um mundo em que os trabalhadores qualificados viverão longe dos centros econômicos mais desenvolvidos. Em que o deslocamento físico tanto na demanda como na oferta de trabalho será substituído pelo deslocamento tecnológico.

Uma fatia importante do trabalho qualificado já é, hoje, teletrabalho. A criação e desenvolvimento de softwares, a instalação e gestão de redes, a atividade lojista, a redação e tradução de textos, os serviços administrativos, as várias modalidades de design, o atendimento a clientes, os esquemas de vendas, os serviços contábeis, etc. cada vez requerem menos presença física.

A oDesk, a maior contratante mundial de serviços online, estima que neste ano que finda os seu contratados trabalharam 8,5 milhões de horas, um crescimento da ordem de 70% sobre o ano passado. Não é o montante das horas trabalhadas, mas o seu incremento que levanta questões que não se colocavam no último século. Como regular esta forma de trabalho? Quem pagará os impostos e aonde, se impostos forem pagos e se “aonde” ainda tiver algum significado econômico?O que será do dinâmico gerente? E do laborioso assessor? A quem adularão? A quem humilharão? O que acontecerá com os deficientes tecnológicos? E com os inabilitados online? Estarão condenados à labuta física e burocrática, à manutenção de robôs e nutrição de computadores?

Países em que o trabalho online é fator importante na economia estão adotando medidas esdrúxulas para controlá-lo e extorquir-lhe alguma receita fiscal. O governo de Bangladesh, por exemplo, decidiu classificar o trabalho online como “rendimento comercial de exportação”, livre de impostos. O sistema anterior, que o tributava como “remessa de empresa offshore” não funcionou. Em outros países as tentativas regulatórias e arrecadatórias, ao que parece, fazem água e naufragam comicamente.

Pelo lado da oferta não é o número oportunidades, muito menos as dificuldades de regulamentação que estão revolucionando tudo o que se fez e pensou sobre o trabalho no último século. O que está mudando são os trunfos, as credenciais, aquilo que é necessário para conseguir um bom contrato. A idade, o sexo, a cor da pele, a nacionalidade deixaram, obviamente, de serem critérios no mundo online. O talento, o descortino e a capacitação efetiva estão em alta exponencial. A se manter a tendência, fatores como a educação formal regida pela estupidez certificante estão com seus dias contados. Em 2012 os diplomas foram considerados relevantes somente para 6% (isto mesmo, seis por cento) dos contratantes online. O item mais pontuado foi a reputação: entregar no prazo e em conformidade com o pedido.

Ninguém pode ter do que vai acontecer nos próximos anos. Talvez o trabalho online não se generalize. Mas quem sabe Lennon tenha se enganado e, afinal, o sonho continue? Quem sabe ainda vejamos o trabalho livre do transporte, do ponto, dos escritórios, dos certificados, dos chefes, dos sindicatos e dos impostos?

Tomara.

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Preocupações de gente grande.

Trabalho & Produtividade.

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Um sinal amarelo apareceu na maior economia do mundo:embora quase 1/3 dos postos de trabalho industriais tenha desaparecido desde 2000, há uma carência severa de trabalhadores qualificados na indústria americana.

Esta carência deriva em parte da diminuição dos salários, cujas razões são conhecidas. A competição das empresas de países que pagam menos e o barateamento das máquinas de controle numérico (computadores e robôs) que fazem o trabalho de 10 e de até 100 pessoas são as mais importantes.

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O ócio e a produtividade

Trabalho & Produtividade

Pesquisas recentes (e também não tão recentes assim) evidenciam que o repouso é fator determinante na produtividade do trabalho. Os estudos sobre o hábito da sesta e seus impactos levaram a que muitas corporações adotassem a política do cochilo depois das refeições, algumas, inclusive, fornecendo os recursos (camas, ambientes, etc.) para a prática.

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No Reino Unido a constatação da relação positiva entre longevidade e preguiça (sic) vem corroborar pesquisas médicas no sentido de que vida profissional estressante e acelerada é nociva não só em termos biológicos, mas também em termos de qualidade da vida psíquica e social. Ao que estas investigações indicam, até práticas julgadas “saudáveis”, como a frequentação de academias, os circuitos de treinamento, e as corridas sistemáticas, pasmem, encurtam a vida e inibem a produtividade.

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O trabalho livre, afinal.

CATEGORIA TR

A produtividade no trabalho é função direta da liberdade. Este postulado é conhecido desde a antiguidade. As formas coercitivas de organizar o trabalho podem fazer a produtividade dar um salto, mas não se sustentam. Ao contrário: reduzem dramaticamente a produtividade marginal.

Incitado pela baixa continuada das ações da Apple, o CEO Tim Cook parece ter acordado para o fato de que a organização em equipes voltadas para projetos focados poderia ser a causa da baixa produtividade e da inovatividade marginal decrescente (queda na geração de ideias e iniciativas disfuncionais, como Siri, iOS6 e Mapas), que,acredita-se, determinaram a demissão de Scott Forstall.

É curioso que as corporações “descubram” que esquemas rígidos de produção não funcionam. Foi o que aconteceu com a Google, que há algum tempo atrás introduziu o seu programa “20% time” (1/5 do tempo do trabalho é livre para projetos individuais). Correndo atrás das corporações congêneres, o pessoal de Cupertino criou um programa, denominado “Blue Sky”, que libera um grupo selecionado de funcionários para trabalhar em projetos criativos.

Cf. Lessin, Jessica E.; Apple gives in to employee perks; The Wall Street Journal; updated November 12, 2012,

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