NOTAS: Artigo – Foucault e a gestão do trabalho.

Notícias.

Estudos de Administração e Sociedade (ISSN 2525-9261).  v. 2, n. 1 (2017).

Este artigo trata dos efeitos das teorias de Michel Foucault no domínio da gestão do trabalho. Apresenta as noções fundamentais dos condicionantes do valor-trabalho a saberes e poderes circunstanciais. Discute como racionalidades contextuais e transitórias conformam as práticas gerenciais referidas ao esforço produtivo. O artigo conclui com uma interpretação das implicações dos conceitos inerentes à racionalidade técnica para o entendimento do fenômeno do trabalho na atualidade. 

This article deals with the effects of Michel Foucault’s theories on work management. It presents the fundamental notions of the conditioners of labor value to knowledge and circumstantial powers. It discusses how contextual and transitional rationalities conform the managerial practices referred to the productive effort. The article concludes with an interpretation of the implications of the concepts inherent to the technical rationality for the understanding of the work phenomenon in the present time. 

Este artículo trata de los efectos de las teorías de Michel Foucault en el ámbito de la gestión del trabajo. Presenta las nociones fundamentales de los condicionantes del valor-trabajo a saberes y poderes circunstanciales. Discute cómo las racionalidades contextuales y transitorias conforman las prácticas gerenciales referidas al esfuerzo productivo. El artículo concluye con una interpretación de las implicaciones de los conceptos inherentes a la racionalidad técnica para el entendimiento del fenómeno del trabajo en la actualidad. 

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NOTAS: Trabalho em geral e trabalho em abstrato.

Notas.

 

john-locke

adam-smith

O que o trabalho do pedreiro tem a ver com o do profissional de TI? E o trabalho do médico como o de piloto de helicóptero? Muito pouco, diríamos. No entanto o trabalho como tema de formulações teóricas e práticas tem sido tratado como um fenômeno unívoco. Este entendimento, costume ou vício data do Renascimento. Até então sequer existia um termo genérico para o que hoje denominamos trabalho. São dois os pais da ideia: os filósofos John Locke, que em 1690 descreveu a noção de trabalho em geral, e Adam Smith, que em 1776 definiu o trabalho em abstrato. Com o passar do tempo, ficou evidente que estes conceitos se tornaram insuficientes para explicar o fenômeno do papel do fator humano na produção e para esclarecer sua situação no quadro econômico-organizacional. Esta é uma discussão que ressurge periodicamente, sem que, no entanto se avance na equalização das dificuldades que gera. O texto em anexo, publicado na Gestão.org, é uma contribuição para o processo de reconstrução do corpus conceitual contemporâneo do gerenciamento  de pessoas. Nele são analisadas as contribuições de John Locke e de Adam Smith, e examinados os que termos em que permanecem ou vêm perdendo vigência os atributos relativos ao conceito de trabalho em geral e ao conceito do trabalho em abstrato por eles formulado.

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Resumo: A evolução dos métodos administrativos e da tecnologia da informação, aliada à sucessão de crises morais e econômicas que assistimos na última década, determinou alterações profundas na forma de ordenar e de gerenciar as organizações. O entendimento do papel do fator humano na produção, particularmente no que se refere aos conceitos utilizados na gestão de recursos humanos, se tornou insuficiente para explicar o fenômeno do trabalho e para esclarecer sua situação no quadro econômico-organizacional contemporâneo. Neste artigo procuro contribuir para o processo de reconstrução do corpus conceitual do gerenciamento de pessoas que hoje se delineia. Analiso as contribuições de John Locke e de Adam Smith, examinando os que termos em que permanecem ou vêm perdendo vigência os atributos relativos ao conceito de trabalho em geral e ao conceito do trabalho em abstrato por eles formulado.

Palavras-chave: trabalho, racionalidade, administração, recursos humanos, Locke, Smith.

Abstract ∗ Artigo recebido em 19.10.2006, aprovado 20.12.2008 1 Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor e Pesquisador da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Praia de Botafogo, 190, sala 508, Rio de Janeiro, RJ, CEP: 22250-900. E-mail: Hermano.roberto@fgv.br Revista Gestão.Org – 7 (1):119-136 – Jan/Abr 2009 Hermano Roberto Thiry-Cherques Gerenciamento de Pessoas: Sobre a Formação dos Conceitos de Trabalho em Geral e em Abstrato: de John Locke a Adam Smith 120 The evolution of management and technology of information associated with the moral and economic crises we attend in the last decade determined deep transformations in the way we manage and design organizations. The understanding of human factor role in production, mainly the use of concepts employed in human resources management, became inadequate to explain the phenomenon of work and to clarify its situation in the economic-organizational contemporary frame. In this article I seek to contribute to today’s reconstruction of people management conceptual corpus analyzing John Locke’s notion of work in general and Adam Smith’s notion of abstract work.

Keywords: work, rationality, management, human resources, Locke, Smith.

Recuperável em ➽ https://periodicos.ufpe.br/revistas/gestaoorg/article/view/21545/18239

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, H. R. T.. Gerenciamento de Pessoas: Sobre a Formação dos Conceitos de Trabalho em Geral e em Abstrato: de John Locke a Adam Smith. Gestão.Org, v. 7, p. 102, 2009.

Gerenciamento de Pessoas: Sobre a Formação dos Conceitos de Trabalho em Geral e em Abstrato: de John Locke a Adam Smith∗

People Management: On Concepts Formation of Work in General and Abstract, from John Locke to Adam Smith

ÉTICA: Greene – A resposta moral espontânea e a lógica.

Ética.

Trabalhando na interseção entre a filosofia, a psicologia e as neurociências, Joshua Greene, da Universidade de Harvard, pode constatar a dualidade na formação de juízos de valor.

Baseando-se na distinção entre as regiões cerebrais (afetividade, racionalidade) e na psicologia evolucionista, Greene demonstrou que os seres humanos têm uma tendência automática a colaboração intersubjetiva nas adversidades (“eu contra nós”). Inversamente, a cooperação pode ser inibida se as circunstâncias permitirem o cálculo racional (“eu contra eles). Por exemplo, em um jogo de investimento cooperativo, as pessoas são mais propensas a fazer o que é melhor para o grupo quando estão sob pressão de tempo ou das circunstâncias.

Já em questões de harmonia entre os grupos (“nós contra eles”), as intuições automáticas se deparam com o que Greene chama de “tragédia da moralidade do senso comum”. A mesma lealdade que alcança a cooperação dentro de um grupo humano leva à hostilidade entre as comunidades (“eles contra nós”).

Greene aventa que a “tensão central” entre as teorias morais baseadas em princípios e as teorias baseadas nos efeitos reflete as influências desses dois tipos de processos. Os julgamentos baseados em princípios (ética deontológica), são caracterizados por respostas automáticas-emotivas, enquanto juízos consequencialistas (ética teleológica), resultam de respostas racionais–conscientes.

Concordemos ou não como ele, é animador que um cientista tenha comprovado o que os filósofos, desde a Grécia clássica, têm sustentado: i) que há um lado emocional e um lado racional nas atitudes morais; ii) que ambos padecem de condicionamentos de época e circunstância; iii) que seria ótimo encontrar um ponto de concórdia transtemporal e supra-cultural que não fosse meramente teórico, o que, passados vinte e cinco séculos desde o surgimento do pensamento filosófico, ainda não foi possível alcançar.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
Greene, Joshua D. (2014). Beyond point-and-shoot morality: Why cognitive (neuro)science matters for ethics. In,  Ethics. 124 (4): 695–726. doi:10.1086/675875 

Greene, Joshua (2013). Moral Tribes: Emotion, Reason, and the Gap Between Us and Them. Penguin Press. ISBN 978-1594202605.

Greene, Joshua D; Morelli, Sylvia A; Lowenberg, Kelly; Nystrom, Leigh E; Cohen, Jonathan D (2008). "Cognitive load selectively interferes with utilitarian moral judgment". In, Cognition. 107 (3): 1144  54. doi:10.1016/j.cognition.2007.11.004

Marcuse – trabalhador unidimensional.

Trabalho.

É ampla e variada a contribuição ao entendimento do fenômeno do trabalho do filósofo Herbert Marcuse (1898 – 1979).  No que deixou escrito, figura a advertência de que não é a organização racional dos procedimentos sociais que cria a razão, mas o contrário: é o entendimento preexistente nos sujeitos que organiza racionalmente o mundo.

Marcuse construiu um esquema demonstrativo da articulação entre a “racionalidade”, enquanto “tecnificação da dominação”, e a “individuação” – o aniquilamento da personalidade. Sua tese é a de que os movimentos libertários foram absorvidos pelo sistema dominador mediante formas não-coercitivas de opressão. Continuar lendo

Simplexidade

CATEGORIA TR

Sobreviver ao trabalho

Conceitos-chave: simplex

Simples é o que não tem ou não pode ter partes. A agregação de unidades simples (elementares) forma um composto, como as mônadas de Leibniz. O simples opõe-se ao composto, não ao complexo. Uma entidade simples – como Deus – pode ser infinitamente complexa. Por isto, os filósofos desde Platão pensam que o simples pertence a uma dimensão mais elevada do que o composto.

Simplexidade (simplexity, simplixité) é o termo empregado por Pieter Schoute em 1900 para designar os simplexes, as formas elementares da geometria e da topologia como o segmento de reta e o triangulo, que combinadas, permitem construir todas as figuras possíveis. Um simplex é chamado assim por ser sempre o polígono mais simples de sua dimensão, isto é, um triângulo (2D) é o polígono que possui menos vértices e arestas, o tetraedro (3D) é o que possui menos vértices e arestas e faces. E assim por diante

Simplex é também a denominação de um algoritmo criado pelo matemático americano George Dantzig para maximizar um resultado mediante o insulamento de uma função-objetivo. As quantidades que se deseja otimizar são representadas por variáveis, e a função objetivo apresenta-se como  coeficientes proporcionais das variáveis. As restrições são apresentadas como inequações e indicam peculiaridades, como o fato de uma empresa necessitar um nível de desempenho laboral determinado. Dentre as possibilidades de valores para as variáveis que atendam às restrições, o algoritmo encontra aqueles que dão à função objetivo o maior (ou menor, quando for o caso) total possível.

Mais recentemente os simplexes têm sido empregados para descrever os mecanismos neurais complexos acionados por estímulos simples como o que nos faz desviar de um projetil arremessado contra nós. Ainda no campo das neurociências, o termo veio a significar a emergência de etapas simples no desenvolvimento humano – engatinhar, andar, linguagem, gesto da mão – que evitam que o cérebro constitua todas as redes neurais ao mesmo tempo.

A constatação da analiticidade dos simples levou à compreensão e a intervenção sobre elementos estruturais para resolução de problemas complexos. Um exemplo de aplicação é o de pesquisadores holandeses que em fevereiro de 2014 lograram medir o índice pluviométrico sem utilizar pluviômetros: como a chuva (simples 1) atenua o sinal da telefonia móvel (simples 2) foi possível aplicar um único algoritmo para medir instantaneamente o índice da precipitação em todo o país.

A análise dos simples tem uma função primordial na racionalização do trabalho. Seja pela compreensão da sintaxe dos processos, que permite analisar a sistematicidade de elos decisórios, seja pela compreensão da semântica dos fluxos operacionais, que permite a racionalidade no emprego de recursos, seja, por último, pela aplicação de algoritmos que permite a economia do fator trabalho e, por consequência, ganhos de produtividade material, informacional, tecnológica e monetária.

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Entendendo o Trabalho na atualidade

CATEGORIA TR

Daniel Kahneman. (Princeton University)

Daniel Kahneman, prêmio Nobel de economia, apesar de ser um psicólogo cognitivo é, de fato, um grande teórico da administração.

Contra a vetusta ciência da gestão que ainda grassa na maior parte da academia do Ocidente, Kahneman traz um pouco de oxigênio, ou mais cruamente, de conhecimento útil. Alguns dos seus achados são essenciais para o entendimento do trabalho na atualidade:

  • Demonstrou empiricamente que os chamados “estímulos positivos”, em todas as suas modalidades, incluindo as mais comuns, o elogio e a gentileza, são contraproducentes. (E que o corolário – a bronca – é gerador de eficiência);
  • Demonstrou o “efeito de halo”, a extensão de atributos como inteligência, confiabilidade e competência a pessoas que são simplesmente simpáticas ou com quem concordamos ideologicamente. (E que o corolário – o incomodo do exercício da lógica e da racionalidade – leva a validar cenários interpessoais acríticos);
  • Demonstrou a não representatividade estatística de grande parte dos dados em que se baseiam as decisões econômicas, incluindo as referentes ao trabalho (com as consequências que sabemos);
  • Chamou a atenção para que o estado de perplexidade decorrente do confronto entre o viés otimista e a aversão a perdas gera dois efeitos associados: previsões corajosas e decisões tímidas;
  • Chamou a atenção para a inutilidade preditiva da “competência intuitiva”, ao demonstrar que a experiência decorrente de 10.000 horas ou mais em um ambiente econômico dado é infrutífera quando aplicada a cenários econômicos amplos;
  • Demonstrou a eficácia da gestão da cutucada (nudge), um meio termo entre o dirigismo e o deixar rolar. Por exemplo, que 96% dos suecos são doadores de órgãos contra somente 4% dos dinamarqueses simplesmente porque os primeiros devem colocar um aviso na carta de habilitação para recusar a doação enquanto os segundos devem colocar um aviso para aceitarem.

A conferir:

–          Kahneman, D.; Lovallo, D. (1993). “Timid choices and bold forecasts: A cognitive perspective on risk-taking”. Management Science 39: 17–31

–          Kahneman, D.; Tversky, A. (1996). “On the reality of cognitive illusions”. Psychological Review 103 (3): 582–5

–          Kahneman, D. (2003). “A perspective on judgment and choice: Mapping bounded rationality”. American Psychologist 58 (9): 697–72

–          Kahneman, D. (2011). Thinking Fast and Slow, Allen Lane, Penguin Books

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Hipóteses weberianas sobre a Cultura e a Moral.

Trabalho & Produtividade.

weber

Neste artigo publicado na RAP (Max Weber e a Ética nas Organizações: cinco hipóteses sobre a cultura e a moral a partir de conceitos de Max Weber.. RAP. Revista Brasileira de Administração Pública, v. 31, n. 2, p. 5-21, 1997), mas fora do sistema SciELO, procuramos trazer as categorias de análise weberiana para o nosso tempo e aplicá-las às dificuldades morais das organizações (éticas do trabalho, dos negócios e das relações organizacionais). Para tanto, levantamos cinco hipóteses de trabalho a partir da sistematização das ideias de Max Weber sobre a cultura e a ética e de conceitos como os de afinidade eletiva, de racionalidade e de método.

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O individualismo à brasileira: Raízes e proposições.

Trabalho & Produtividade

Artigo apresentado em conferência na FEUC (Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) e publicado na Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão v.7 n.1 Lisboa.

Neste texto construímos a hipótese de que o individualismo presente nas organizações brasileiras guarda traços do que nos foi legado pela cultura portuguesa dos tempos da Expansão. Procuramos sustentar que, agora, nos tempos da globalização e das formas universais de administrar, a compreensão deste individualismo de origem lusitana pode nos ajudar a melhor conduzir as nossas organizações.

Com este propósito, discutimos alguns dos aspectos da herança comum a partir de dados e de impressões colhidas ao longo de pesquisas sobre o perfil ético do executivo brasileiro e sobre as formas de trabalho individualizado.

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