Racionalidade

Marcuse – trabalhador unidimensional.

Trabalho.

É ampla e variada a contribuição ao entendimento do fenômeno do trabalho do filósofo Herbert Marcuse (1898 – 1979).  No que deixou escrito, figura a advertência de que não é a organização racional dos procedimentos sociais que cria a razão, mas o contrário: é o entendimento preexistente nos sujeitos que organiza racionalmente o mundo.

Marcuse construiu um esquema demonstrativo da articulação entre a “racionalidade”, enquanto “tecnificação da dominação”, e a “individuação” – o aniquilamento da personalidade. Sua tese é a de que os movimentos libertários foram absorvidos pelo sistema dominador mediante formas não-coercitivas de opressão. (mais…)

Simplexidade

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Sobreviver ao trabalho

Conceitos-chave: simplex

Simples é o que não tem ou não pode ter partes. A agregação de unidades simples (elementares) forma um composto, como as mônadas de Leibniz. O simples opõe-se ao composto, não ao complexo. Uma entidade simples – como Deus – pode ser infinitamente complexa. Por isto, os filósofos desde Platão pensam que o simples pertence a uma dimensão mais elevada do que o composto.

Simplexidade (simplexity, simplixité) é o termo empregado por Pieter Schoute em 1900 para designar os simplexes, as formas elementares da geometria e da topologia como o segmento de reta e o triangulo, que combinadas, permitem construir todas as figuras possíveis. Um simplex é chamado assim por ser sempre o polígono mais simples de sua dimensão, isto é, um triângulo (2D) é o polígono que possui menos vértices e arestas, o tetraedro (3D) é o que possui menos vértices e arestas e faces. E assim por diante

Simplex é também a denominação de um algoritmo criado pelo matemático americano George Dantzig para maximizar um resultado mediante o insulamento de uma função-objetivo. As quantidades que se deseja otimizar são representadas por variáveis, e a função objetivo apresenta-se como  coeficientes proporcionais das variáveis. As restrições são apresentadas como inequações e indicam peculiaridades, como o fato de uma empresa necessitar um nível de desempenho laboral determinado. Dentre as possibilidades de valores para as variáveis que atendam às restrições, o algoritmo encontra aqueles que dão à função objetivo o maior (ou menor, quando for o caso) total possível.

Mais recentemente os simplexes têm sido empregados para descrever os mecanismos neurais complexos acionados por estímulos simples como o que nos faz desviar de um projetil arremessado contra nós. Ainda no campo das neurociências, o termo veio a significar a emergência de etapas simples no desenvolvimento humano – engatinhar, andar, linguagem, gesto da mão – que evitam que o cérebro constitua todas as redes neurais ao mesmo tempo.

A constatação da analiticidade dos simples levou à compreensão e a intervenção sobre elementos estruturais para resolução de problemas complexos. Um exemplo de aplicação é o de pesquisadores holandeses que em fevereiro de 2014 lograram medir o índice pluviométrico sem utilizar pluviômetros: como a chuva (simples 1) atenua o sinal da telefonia móvel (simples 2) foi possível aplicar um único algoritmo para medir instantaneamente o índice da precipitação em todo o país.

A análise dos simples tem uma função primordial na racionalização do trabalho. Seja pela compreensão da sintaxe dos processos, que permite analisar a sistematicidade de elos decisórios, seja pela compreensão da semântica dos fluxos operacionais, que permite a racionalidade no emprego de recursos, seja, por último, pela aplicação de algoritmos que permite a economia do fator trabalho e, por consequência, ganhos de produtividade material, informacional, tecnológica e monetária.

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Entendendo o Trabalho na atualidade

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Daniel Kahneman. (Princeton University)

Daniel Kahneman, prêmio Nobel de economia, apesar de ser um psicólogo cognitivo é, de fato, um grande teórico da administração.

Contra a vetusta ciência da gestão que ainda grassa na maior parte da academia do Ocidente, Kahneman traz um pouco de oxigênio, ou mais cruamente, de conhecimento útil. Alguns dos seus achados são essenciais para o entendimento do trabalho na atualidade:

  • Demonstrou empiricamente que os chamados “estímulos positivos”, em todas as suas modalidades, incluindo as mais comuns, o elogio e a gentileza, são contraproducentes. (E que o corolário – a bronca – é gerador de eficiência);
  • Demonstrou o “efeito de halo”, a extensão de atributos como inteligência, confiabilidade e competência a pessoas que são simplesmente simpáticas ou com quem concordamos ideologicamente. (E que o corolário – o incomodo do exercício da lógica e da racionalidade – leva a validar cenários interpessoais acríticos);
  • Demonstrou a não representatividade estatística de grande parte dos dados em que se baseiam as decisões econômicas, incluindo as referentes ao trabalho (com as consequências que sabemos);
  • Chamou a atenção para que o estado de perplexidade decorrente do confronto entre o viés otimista e a aversão a perdas gera dois efeitos associados: previsões corajosas e decisões tímidas;
  • Chamou a atenção para a inutilidade preditiva da “competência intuitiva”, ao demonstrar que a experiência decorrente de 10.000 horas ou mais em um ambiente econômico dado é infrutífera quando aplicada a cenários econômicos amplos;
  • Demonstrou a eficácia da gestão da cutucada (nudge), um meio termo entre o dirigismo e o deixar rolar. Por exemplo, que 96% dos suecos são doadores de órgãos contra somente 4% dos dinamarqueses simplesmente porque os primeiros devem colocar um aviso na carta de habilitação para recusar a doação enquanto os segundos devem colocar um aviso para aceitarem.

A conferir:

–          Kahneman, D.; Lovallo, D. (1993). “Timid choices and bold forecasts: A cognitive perspective on risk-taking”. Management Science 39: 17–31

–          Kahneman, D.; Tversky, A. (1996). “On the reality of cognitive illusions”. Psychological Review 103 (3): 582–5

–          Kahneman, D. (2003). “A perspective on judgment and choice: Mapping bounded rationality”. American Psychologist 58 (9): 697–72

–          Kahneman, D. (2011). Thinking Fast and Slow, Allen Lane, Penguin Books

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Hipóteses weberianas sobre a Cultura e a Moral.

Trabalho & Produtividade.

weber

Neste artigo publicado na RAP (Max Weber e a Ética nas Organizações: cinco hipóteses sobre a cultura e a moral a partir de conceitos de Max Weber.. RAP. Revista Brasileira de Administração Pública, v. 31, n. 2, p. 5-21, 1997), mas fora do sistema SciELO, procuramos trazer as categorias de análise weberiana para o nosso tempo e aplicá-las às dificuldades morais das organizações (éticas do trabalho, dos negócios e das relações organizacionais). Para tanto, levantamos cinco hipóteses de trabalho a partir da sistematização das ideias de Max Weber sobre a cultura e a ética e de conceitos como os de afinidade eletiva, de racionalidade e de método.

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O individualismo à brasileira: Raízes e proposições.

Trabalho & Produtividade

Artigo apresentado em conferência na FEUC (Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) e publicado na Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão v.7 n.1 Lisboa.

Neste texto construímos a hipótese de que o individualismo presente nas organizações brasileiras guarda traços do que nos foi legado pela cultura portuguesa dos tempos da Expansão. Procuramos sustentar que, agora, nos tempos da globalização e das formas universais de administrar, a compreensão deste individualismo de origem lusitana pode nos ajudar a melhor conduzir as nossas organizações.

Com este propósito, discutimos alguns dos aspectos da herança comum a partir de dados e de impressões colhidas ao longo de pesquisas sobre o perfil ético do executivo brasileiro e sobre as formas de trabalho individualizado.

Clique aqui para ler o texto na íntegra.

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