Sartre

Identidade & trabalho: o niilismo profissional.

Trabalho.

Illustration by Henrietta HarrisO mimetismo é a face exposta do cancelamento da identidade. Desejamos ser como os outros. Procuramos as nossas convicções nas ideias aceitas (Flaubert), a orientação da nossa conduta nas convenções estabelecidas (Sartre). Procuramos nos olhares a aprovação da nossa aparência. Procuramos na forma como nos tratam a admiração ou o temor que despertamos (Jaspers).

Duas situações profissionais concorrem para o esgotamento da identidade. O associacionismo formalizado e a pasteurização dos ofícios.

Com a conquista da livre associação sindical ganhamos força, mas perdemos a referência de quando o consórcio se atrelava à uma profissão. A forma jurídica coletiva que aí está assegura mais contra o risco do desemprego em massa do que contra os riscos individuais da dignidade e da segurança. Refere-se à expectativa de manter o trabalho, não ao direito de ter um trabalho. (mais…)

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A ética de si – orientação moral em uma sociedade mutante.

Ética & Credibilidade.

robotsDiversas perspectivas – como as de Sartre[1], de Cavell[2] e de Foucault[3] –  postulam o auto aperfeiçoamento moral como caminho de ajustamento às situações e significados no mundo contemporâneo.

Conciliadas sob a denominação genérica de “éticas de si”[4], estas formas de ver são desdobramentos da proposição de Heidegger[5], da responsabilidade que temos sobre a nossa própria existência.

O seu ponto de partida é a constatação da inevitabilidade da perda dos valores referenciais. O deslocamento do padrão moral como algo que ocorreu e que continuará ocorrendo aceleradamente face à metamorfose das instituições sociais, econômicas, políticas. (mais…)