trabalho assalariado

Trabalho assalariado – costume e tradição.

Trabalho & Produtividade.

O trabalho assalariado é um costume que se tornou tradição. Um arcaísmo a ser vencido.

Os costumes e as tradições não são a mesma coisa. Os costumes evoluem para se adaptarem às situações novas. As tradições são tidas como imutáveis. Os costumes são esquecidos, transformados e criados. As tradições são estabelecidas, consolidadas e, muitas vezes, inventadas.

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O habitante da baia.

Perplexidades & Filosofia

criatividade

As baias nos escritórios compartilhados carregam o destino milenar dos labirintos: o insulamento, as rotas angulares, os encontros importunos.

Os espaços divididos são avatares do extravio e da temida proximidade com o Outro. Por trás das divisórias, espreita o chefe-minotauro, o colega debochado, toda a alteridade kafkiana.

No início o inquilino do escritório se alarma com os ecos, com os odores, com os reflexos, com o que sente sem ver. Depois se habitua. Amortece a sensibilidade.

Encerrado no seu cubículo, o habitante da baia leva a existência como a leva o tigre enjaulado de Borges. Mas existe uma diferença.

O animal preso desconhece que está ali para sempre. Sereno, aguarda o passar dos dias. No labirinto, o assalariado, consciente da possibilidade de outro destino, conforma-se. Entorpece sua consciência.

O passar do tempo, o escoar da vida a revogará.

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O sonho do jovem Karl.

Perplexidades & Filosofia.

0505g

Para os que olham com o distanciamento que só a perda da fé proporciona o Marx da juventude, o Marx dos Manuscritos econômico-filosóficos, é infinitamente mais interessante que o da maturidade, daquele o senhor barbudo que escreveu O Capital.

Ao apresentar a deterioração da individualidade como consequência imediata do trabalho que “aliena a natureza do homem, aliena o homem de si mesmo, o papel ativo, a sua atividade fundamental, aliena do mesmo modo o homem a respeito da espécie; transforma a vida genérica em meio da vida individual.”[1] Marx, o moço, pintou uma imagem trágica do trabalho não criativo em qualquer época e, contrariamente ao que ele sempre acreditou, um retrato válido em qualquer sistema econômico que tenha existido ou que venha a existir.

O Marx jovem é ainda mais cativante ao descrever o ser humano livre e consciente que viria à luz quando fosse suplantada a divisão do trabalho assalariado, feito mercadoria[2]. Naquele futuro distante, o trabalhador desalienado pela falência das relações do sistema capitalista de produção, seria finalmente emancipado. Um momento que, como sabemos, não chegou a existir. E que, infelizmente, não vemos como possa vir a existir, porque as categorias que o Marx jovem e sonhador acreditou serem exclusivas do capitalismo são inerentes ao tipo de trabalho e não ao sistema econômico que o rege e explora.

UTILIZE E CITE A FONTE.
[1] MARX, Karl (2003) Manuscritos econômico –filosóficos; Tradução de Jesus Ranieri; São Paulo; Boitempo.

[2] Mészários, István (2006) A teoria da alienação em Marx. São Paulo: Boitempo.

Robert Castel

CATEGORIA PT

Sobreviver ao trabalho

A morte de Robert Castel no mês passado marca talvez o final de um ciclo de esforços intelectuais e políticos para dar alento ao trabalho assalariado. O mundo do trabalho precário, da “desfiliação” – o conceito que Castel utilizou para retratar o isolamento social dos excluídos do sistema de emprego – e a denuncia da existência de uma esfera de “infra-assalariados”, são retratos vivos deste esforço. A sociedade salarial, um dia amparada pelo Estado Social, parece ter sido irremediavelmente desfigurada pelo neoliberalismo. O mundo que Castel denunciou foi o do ressentimento e da angústia, o mundo que aí está, em que as posições sociais são instáveis, em que tudo se mede, mas nada se avalia. Infelizmente ele morreu antes que o hiato entre a sociedade salarial e a do individuo autárquico, livre do jugo do emprego, pudesse emergir.

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