trabalho

O trabalho de pensar.

Almanaque.

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O trabalho assalariado: o crepúsculo de uma tradição.

Trabalho & Produtividade.

Por muitas gerações, nós, os herdeiros da velha Europa, lutamos para assegurar uma remuneração constante pelo nosso trabalho. O salário foi, e ainda é, fonte de sobrevivência e de dignidade social. Mas agora o trabalho assalariado parece estar fadado a desaparecer.

A questão é se devemos nos concentrar na busca de outras formas de sobrevivência material e psíquica, ou se devemos resistir e prolongar a tradição do trabalho dependente para além da lógica econômica que a fez nascer e prosperar. (mais…)

Camus: o trabalho e o absurdo.

Trabalho.

Um mundo que se pode explicar, mesmo que seja mediante raciocínios errôneos, é um mundo familiar. Mas um mundo em que não haja esclarecimentos, lembranças e ilusões, nos parece absurdo. O sentimento do absurdo esvazia tudo o que encontra, torna tudo irrelevante. Este é um dos pontos que Albert Camus (1913-1960) se apoia para explicar a retirada de vida.

Estamos acostumados ao nosso trabalho. Mas quando o trabalho não encerra mais significados nem projeta utopias, ingressamos na esfera do absurdo. Constatamos que o trabalhar se escora somente no hábito, na necessidade, no receito e no conformismo. (mais…)

Trabalho assalariado – costume e tradição.

Trabalho & Produtividade.

O trabalho assalariado é um costume que se tornou tradição. Um arcaísmo a ser vencido.

Os costumes e as tradições não são a mesma coisa. Os costumes evoluem para se adaptarem às situações novas. As tradições são tidas como imutáveis. Os costumes são esquecidos, transformados e criados. As tradições são estabelecidas, consolidadas e, muitas vezes, inventadas.

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Automação e o Futuro.

Notícias & Almanaque.

Deu na CNBC por Anita Balakrishnan.

Jack Ma, o bilionário presidente do grupo Alibaba, acredita que a automação vai ajudar os trabalhadores do futuro a aproveitarem mais seu tempo de lazer. Na verdade, ele vê um futuro em que as pessoas vão trabalhar apenas 16 horas por dia, em 2047.

“Eu acho que, nos próximos 30 anos, as pessoas vão trabalhar apenas quatro horas por dia e talvez quatro dias por semana”, Ma disse essa semana, em uma conferência em Detroit. “Meu avô trabalhou 16 horas por dia na fazenda e achava que estava muito ocupado. Nós trabalhamos oito horas, cinco dias por semana, e achamos que estamos muito ocupados.”

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Mauss – A dívida e a dádiva

Trabalho.

O ano de 2001 passou. As odisseias interplanetárias não ocorreram. O ano 1020 da Federação Galáctica não  se sabe quando ocorrerá. Ambas as datas têm em comum o fato de que no irrealizado mundo de Arthur Clarke e na colossal trilogia “Fundação”, de Isaac Asimov, os personagens viveriam do seu trabalho.

Por que esta falta de imaginação? Por que a nossa fantasia não pode conceber um mundo em que o trabalho não exista?

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Pieper: o trabalho apropriado.

Trabalho & Filosofia.

No emaranhado de conceitos com que se pretende descrever a universalidade do fenômeno do trabalho há um sem número de incongruências, de lapsos, de imperfeições.

O trabalho é esforço produtivo? Mas um bancário produz exatamente o quê? O trabalho é esforço remunerado? Mas o que dizer do trabalho da dona de casa, ou do trabalho voluntário? E, afinal, o que o trabalho do bancário, da dona de casa, e do voluntário têm em comum entre si e com o trabalho do policial ou o do artesão? O trabalho de quem produz para si e para os seus é o mesmo trabalho de quem produz para os outros, para o governo, para a empresa, para o sistema? O trabalho do comerciante é igual ao trabalho do pedreiro, que produz a casa em que não vai morar? (mais…)

Como fins de semana de três dias podem ajudar a salvar o mundo.

Notícias & Almanaque.

Deu no The Conversation por Alex Williams.

Resultado de imagem para LESS WORKImagine se, em vez de curtir alguns feriadões ao longo do ano, tivéssemos três dias de fim de semana todas as semanas.

Não se trata apenas de uma boa ideia para quem quer passar mais tempo com a família ou praticar seus hobbies. Poderia ser uma maneira fácil de melhorar radicalmente o nosso ambiente e a economia. (mais…)

Rousseau – O trabalho e a vontade geral.

Trabalho & Produtividade.

As chamadas conquistas trabalhistas atendem ao interesse comum? Não necessariamente, e cada vez menos.

Costuma-se definir o interesse comum como o somatório dos interesses particulares. Mas se entendermos que a vontade de cada um é a de viver sem ser obrigado a trabalhar, a soma das vontades particulares implicaria no banimento do trabalho, o que, certamente, não seria de interesse comum.

O diagnóstico da incongruência lógica é de Jean-Jacques Rousseau, quem, para resolvê-la, propôs a conciliação dos interesses particulares e dos interesses de todos com base no que denominou de “vontade geral”. (mais…)

É absurdo ver vitória de Trump como retrocesso, diz Mangabeira Unger.

Notícias & Almanaque.

Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump

Getty Images

Deu na BBC Brasil por Ingrid Fagundez.

Para pensar o trabalho no Brasil: Fragmentos da entrevista de Mangabeira Unger a Ingrid Fagundez, da BBC Brasil – 14/11/16.

Os brasileiros não têm razão para considerar esse acontecimento (a vitória de Trump) tão absurdo e incompreensível. O Brasil é o país do mundo mais parecido com os Estados Unidos. Como eles, nosso atributo mais importante é a vitalidade, hoje encarnada numa pequena burguesia empreendedora e numa massa de trabalhadores pobres que vem atrás dela.

A tragédia dos dois (países) é negar oportunidades à maioria, que é cheia de energia, mas sem condições de transformá-la em ação fecunda.

Na nossa realidade, o formato desse enigma foi ter confiado num projeto baseado na massificação do consumo e na produção e exportação de commodities. Enquanto a mineração e a pecuária pagavam as contas, funcionou. Quando deixaram de pagar, ruiu.

Na discussão brasileira, os dois substitutos são as agendas (anticorrupção) da Polícia Federal e do conserto das contas públicas. É isso que serve de substituto para um projeto nacional que não existe. Também há um grande vazio na política brasileira, embora com outra feição e origens. Mas o resultado é semelhante.


Não pode ser [no Brasil] a continuação do nacional-consumismo. Tem que ser um projeto focado nos interesses da produção e do trabalho.

Temos que ter um projeto de qualificação da nossa produção e dos trabalhadores na agricultura, serviços e indústria. Isso exige uma relação colaborativa entre governo e empresas, sobretudo as pequenas e médias.


Temos no Brasil 40% da população brasileira na economia informal. Na economia formal, uma parte crescente dos trabalhadores está em situação de trabalho precarizado. Se você somar os informais e os precarizados, é a maioria da força de trabalho do país. Quem os representa? Qual é o projeto para organizar, proteger e qualificar essa maioria?

A esquerda tradicional não faz isso. Ela faz parte do corporativismo das minorias organizadas, que comandam o país.

Clique aqui para ler o artigo original na íntegra.

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O risco executivo.

Trabalho & Produtividade

O sofrimento doe executivos de alto nível é pouco estudado. Esta desatenção corresponde a uma falha moral – a da suposição de um conjunto de trabalhadores não precise de apoio e de ajuda. Corresponde também a um risco que transcende a vida íntima dessas pessoas: o da gestão desatinada.

Formados nas melhores universidades, conhecedores profundos da mecânica econômica, muitos dos soldados de elite das corporações vivem intimamente na incerteza de si e do futuro. Um mal-estar surdo, uma sensação de incompletude, de fracasso iminente.

As modalidades terapêuticas são paliativas. Sejam as do esporte, sejam as das viagens, sejam as da psicanálise, sejam as das drogas de vários propósitos e intensidades, acabam por trazer de volta ao escritório o mesmo executivo, que resiste até o esmorecimento da biologia e do intelecto, fatigado e insatisfeito.

Esta constatação é recorrente nas pesquisas em psicologia do trabalho. Mas poucas investigações indagam sobre a razão do mal-estar entre os executivos. A exceção é François Dupuy, do INSEAD.

Dupuy atribui o incremento das ocorrências de burnout entre os executivos ao fim do que denominou de “trabalho em silo”: a compartimentalização em que cada processo roda e é gerido autonomamente. O argumento é o de que a substituição da “silagem operativa” pela “fluidez transversal cooperativa” teria determinado a troca da crise frequente pela tensão constante.

O esgarçamento de corpos e mentes executivas decorreria do fato de que os processos de curso estável exigem cooperação em lugar da competição.

Contrariamente ao que se propala a cooperação não é um comportamento natural nas nossas sociedades. Muito menos entre gente formada na convicção do valor da competitividade e adestrada na luta fratricida pelo poder intra-organizacional.

As costumeiras “técnicas de coerção” ensinadas nas escolas de management e a internalização das condutas produtivas (process) autocorrigíveis pela discussão pública das intenções e dos atos (reporting) mapeados em planilhas de desempenho em que indicadores e índices expõem à glória e a execração (key performance indicators), não se aplicam às atividades integradas.

Moinhos de moer gente, as técnicas de coerção ao trabalho configuram mecanismos altamente eficazes nos sistemas compartimentalizados de geração de bens e serviços. Mas, são inúteis e contraproducentes quando se trata de sistemas integrados estáveis, sejam de cooperação, de colaboração, de ajuste ou de coparticipação.

A característica de mecanismos servo-controlados de fluxo constante é a força inercial depositada nas engrenagens. Uma vez disparados, é impossível retê-los ou desviar o seu curso. Qualquer mudança de orientação submerge o dirigente em um magma informe de cifras, procedimentos e normas contraditórias, o que produz um sentimento de irrealidade. Fiel aos valores que lhe foram inculcados, o executivo se vê vítima litúrgica da crença da qual é apóstolo fervoroso.

O problema documentado por Dupuy não é exclusivamente ou principalmente humanístico e sociológico. O problema é gerencial e econômico. Quadros dirigentes levados ao limite das suas possibilidades psíquicas e intelectuais transformam-se em líderes-zumbis, em decisores a esmo. Tendem à gestão inconsequente, à deseconomia administrativa de feedback reverso, em que o sistema organizacional é realimentado pelos elementos que excreta.

 

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[1] Dupuy, François (2011) Lost in Management: La vie quotidienne des entreprises au XXIe siècle. Paris. Éditions du Seuil.

Trabalho e inovação: a abordagem disruptiva

Trabalho & Produtividade

bbf089b9f351c7d48e637721bde663d3A “abordagem disruptiva” [lat. disruptìo,ónis ou diruptìo,ónis ‘fratura, quebra’], um conceito proposto pelo publicitário Jean-Marie Dru, chairman da rede de agências TBWA, consiste em três passos:

 

  1. analisar as convenções que têm curso em um mercado (ideias recebidas, preconceitos culturais, certezas, mitos urbanos, ….);
  2. identificar a que pode causar maior impacto publicitário;
  3. lançar uma peça publicitária que quebre esta convenção.

Uma das maneiras de quebrar as convenções é o questionamento contrafactual (“e se…“), considerando um futuro diferente para a marca, para o processo, para a forma de agir, etc.

Um exemplo simples de abordagem disruptiva é a colocação de mensagens publicitárias em um lugar pouco habitual. Fora do âmbito do marketing, a introdução no atletismo do salto em altura dorsal (contra a forma antiga de salto ventral), as organizações associativas, etc.

No campo do trabalho, os exemplos de maior sucesso têm sido o MOOC – Massive Open Online Courses [ver post aqui], a integração produtiva nas redes sociais, o credenciamento de um especialista reconhecido em um campo de estudo para atuação interativa (um lugar das caríssimas consultorias), uma coleção de recursos on-line (muito isto acessado livremente), o UBER, que criou uma nova “profissão”, e as diversas modalidades regulamentadas ou não do trabalho on-line.

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Dru, Jean-Marie (2007). La publicité autrement. Paris. Gallimard

 

 

Heráclito de Éfeso: o trabalho que flui

Perplexidades & Filosofia.

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Heráclito de Éfeso, denominado o Obscuro, filósofo da contradição, do fogo, e da fluidez, nascido em 535 AC e falecido em 475 AC, dedicou-se a saber como o homem se posiciona na luta entre o ser e o dever, entre o ente e o ideal. Seguiu um caminho difícil: o da busca do conhecimento pela auto-observação, pela consciência do eu: “procurei-me a mim mesmo”, reza um dos fragmentos, o 101, que constituem o seu legado.

Heráclito teve consciência de que havia descoberto algo novo. Em vão depositou seu livro no famoso templo de Diana (na Grécia clássica os templos serviam como bancos). Tudo se perdeu. O que dele chegou até nós é escasso e disperso. Consiste em 126 fragmentos desconexos. Destes, pelo menos cinco se aplicam ao trabalho. São três constatações e duas reflexões que, passados 2.500 anos desde sua morte, parecem estranhamente contemporâneas.

Clique aqui para ler na íntegra.

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Falta do que fazer.

Notícias & Almanaque

 

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