Wittgenstein

A ordem do querer dizer.

Epistemologia & Método.

coruja

A previsibilidade do entendimento e da internalização dos signos é uma aspiração que está longe de ser alcançada. O que está fora de alcance não é somente a complexidade da mente humana, mas a sintetização computacional das interações sígnicas. Por mais que os devotos das epistemologias em vigor insistam, a equalização do processo de entendimento esbarra no distanciamento entre a recepção do percebido e sua compreensão. (mais…)

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A medida da felicidade

Epistemologia & Método

Happiness-hot-air-balloon-590x393Uma constelação de intelectos de primeira categoria, que inclui Karl Krauss, Wittgenstein, Heidegger e Canetti, recusou in limine primo a teoria psicanalítica[1].

A rejeição decorre da fragilidade da teoria, não da epistemologia adotada por Freud.

Os materiais de prova de que Freud dispunha – os sonhos, os atos de fala, os gestos – correspondem à Europa judaica, classe média, fin-de-siècle de uma estreiteza quase absurda. Eram incompletos, inconsistentes. Caducaram. Ainda assim, Freud extraiu deles um método analítico de grande alcance e seriedade. Uma epistemologia que leva em conta marcadores e não escalas, comutações (presente / ausente), e não medidas.

Freud teria sido infantil se quisesse graduar uma pulsão, um desejo, um sentimento. Soube evitar a tolice para a qual resvalaram as ciências sócio-humanas. Estas disciplinas servem-se da tèchnè, das tradições e das ilusões em partes iguais; recorrem mais aos sentimentos, aos expedientes, à imaginação, do que à razão lógica. Parodiam a Ciência, que tomam como referencia absoluta, então se tornam um pastiche, um feixe mal amarrado de crendices e técnicas numéricas desconexas[2].

É preciso desfaçatez, uma visão simplória do mundo ou um transtorno psicanalítico para aceitar que unidades escalares meçam universalmente contínuos – como a riqueza e a felicidade – e definam em graus os limites que separam a miséria da vida modesta, a indiferença da exaltação delirante.

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[1] Steiner, George (2012) Tigres no espelho e outros textos da revista The New Yorker. Trad. Denise Bottmann. São Paulo. Globo
[2] Enriquez, Eugène (2013) A vida como tempo da experiência sempre inacabada, in Adauto Novaes (org.). Mutações: o futuro não é mais o que era; São Paulo; Edições SESC SP.